James Gray continua invicto.
Archivos novembro 2007
A maior torcida do Brasil.
82.044 pagantes assistiram à vitória de 2 a 0 do Flamengo sobre o Atlético-PR ontem, no Maracanâ. Com a derrota do Cruzeiro, o Flamengo se classificou para sua nona Taça Libertadoras da América.
Feito incrível, maior virada que já ocorreu: de penúltimo colocado, no início do segundo turno, ao terceiro lugar, com uma rodada para o término do campeonato brasileiro.
Anotem aí: Flamengo e Boca Juniors, Bombonera e Maracanã, na finalíssima de 2008. Estarei lá.
Estréia hoje outro forte candidato ao título em português mais estúpido da História: Viagem a Darjeeling.
No Festival do Rio, o o novo e ótimo longa-metragem de Wes Anderson foi exibido como "O Expresso Darjeeling", de acordo com o original em inglês, "The Darjeeling Limited".
Porque Darjeeling, afinal de contas, vem a ser o nome do trem em que os irmãos embarcam para sua jornada espiritual pela Índia. Ou seja, eles não viajam até Darjeeling - pois não se trata de lugar algum - e sim por meio de Darjeeling (a locomotiva que os leva).
E, pela duração que os jornais apresentam, Viagem a Darjeeling não traz o curta-metragem que o antecedeu no Festival. Uma lástima, pois não só complementa deliciosamente a "atração principal", como também é melhor que a própria.
Natalie Portman não precisa se envergonhar de tê-lo no currículo. Em virtude das cenas de nudez e de sexo que pararam na internet, ela renegou o curta. Como não consegue enxergar o melhor trabalho que já fez no cinema? Será mesmo que, em são consciência, prefira Star Wars e aquela porcaria com Amos Gitaï ao lindo filme de Wes Anderson?
O que é a natureza, já diria Zé Trindade.
Hoje me sentei para orçar o projeto do curta-metragem (outro, no caso), visando aos editais que saem em breve.
Segui razoavelmente os preços atuais de mercado, e alcancei custo total de R$ 130 mil.
Mas qualquer edital nos reserva R$ 80 mil, no máximo - mesmo valor há anos, embora os salários dos técnicos e os valores dos laboratórios não párem de subir, por exemplo -, de modo que preciso cortar 40% do valor original.
Perderei rapidamente os cabelos que me restam.
Conta a lenda que vários atores e membros da equipe técnica de Poltergeist morreram após a conclusão do filme.
Bom, nada tão dramático, mas ainda durante as filmagens de A Mulher e a Paisagem - meu curta -, praticamente todos os participantes caíram doentes. Eu inclusive.
Para continuar a maldição, leio hoje que o Camelódromo da Uruguaiana, que nos serviu de locação, pegou fogo. A notícia sobre o incêndio está aqui.
Se fosse longa-metragem, acredito que a essa altura um meteoro já teria devastado o Centro do RJ...
Terminaram. Pelo menos no que concerne às imagens, já que ainda falta captar o som (a câmera não faz sinc, então fazemos como Kubrick em A Morte Passou por Perto: gravamos o filme mudo e construímos o áudio inteiro na pós-produção).
Set tranqüilíssimo, tudo na maior calma. Usamos bem o clima chove-não-molha do RJ nestes dias, não tivemos maiores problemas com a câmera na rua. Como senão, apenas o calo que nasceu no meu dedo mindinho de tanto andar para lá e para cá.
Agradecimentos a todos que participaram até aqui (em ordem alfabética): Carolina, Fernando, Juliane, Luiz, Miguel, Natália, Pedro, Thais, Valmir, Vitor e Zé.
Agora, a batalha será pela finalização, pois a UFF mantém o péssimo hábito de não pagar o laboratório - e este, por sua vez, embora revele os filmes (com muito custo!), não libera os negativos até ver a cor do dinheiro.
Para finalizar, assim que as filmagens acabaram, fui roubado. Levaram minha pasta, com alguns trocados dentro, meu celular, e dois livros: Do Amor, de Stendhal, e Medo e Outras Novelas, de Stefan Zweig - que contém justamente A Mulher e a Paisagem, que adaptei. Bom ou mau sinal?
De qualquer forma, preciso recomprá-lo - lá se vão R$ 44 -, além de recuperar todos os números de telefone que perdi.
Ou a maioria, melhor dizendo. Alguns não faço questão...
Acompanho futebol desde 1986, e pelo que lembro estas foram as vitórias do Flamengo que mais me emocionaram:
1. Flamengo 3 x 2 Atlético-MG (Brasileiro 1987): Renato driblando João Leite no Mineirão lotado, após arrancar do meio-campo, na partida semifinal.
2. Flamengo 3 x 1 Vasco (Carioca 2001): Golaço de falta de Petkovic no último minuto, que garantiu o quarto tricampeonato estadual para o rubro-negro.
3. Flamengo 2 x 0 Vasco (Brasileiro 1992): Depois de apanhar na fase de classificação por 4 a 2, o Flamengo se vinga do Vasco no quadrangular que o levaria à final contra o Botafogo. Inesquecível gol de Nélio por baixo das pernas de Régis.
4. Flamengo 3 x 0 Botafogo (Brasileiro 1992): Primeira partida da decisão. Verdadeiro chocolate, em que o favorito Botafogo não viu a cor da bola. Júnior ainda aplicou drible desconcertante em Renato Gaúcho.
5. Flamengo 3 x 3 Palmeiras (Mercosul 1999): Lê - por onde andará? - empata no finalzinho, em pleno Parque Antártica, concluindo passe de calcanhar de Reinaldo. Flamengo volta a conquistar título internacional, 18 anos depois da Libertadores.
6. Flamengo 2 x 0 Vasco (Copa do Brasil 2006): Obina acerta o ângulo, Luisão faz de cabeça, e o Flamengo sai na frente na decisão da Copa do Brasil.
7. Flamengo 1 x 0 Vasco (Carioca 1999): Rodrigo Mendes marca de falta - também no fim, só pra ficar mais gostoso - e garante o título, revertendo a vantagem do empate que o Vasco tinha na final.
8. Flamengo 1 x 0 Inter-RS (Brasileiro 1987): No Maracanã debaixo de chuva, Bebeto dá um carrinho e marca o gol do tetracampeonato nacional.
9. Flamengo 3 x 1 Santos (Brasileiro 1992): Quadrangular semifinal, Flamengo precisava ganhar a qualquer custo, além de torcer pelo Vasco contra o São Paulo. Embora São Januário em peso tenha gritado "entrega", Edmundo destruiu o tricolor - 3 a 0, placar do jogo. No Maracanã, o Flamengo fez sua parte e se classificou à final.
10. Flamengo 4 x 2 Fluminense (Carioca 1991): Primeiro sinal de que a equipe comandada por Carlinhos faria História. Misturando os veteranos Júnior, Gilmar, Uidemar, Zinho e Wilson Gottardo com os garotos Paulo Nunes, Nélio, Marcelinho, Djalminha, Marquinhos, Júnior Baiano, Rogério, Piá e Fabinho, todos egressos das divisões-de-base (em 1990, eles conquistaram a Taça São Paulo de Futebol Júnior), o Flamengo arrasou o Fluminense de "Super-Ézio".

Clube de Regatas do Flamengo, fundado em 15 de novembro de 1895 - felicíssimo aniversário de 112 anos de vida. Rumo à Libertadores.
Vamos à equipe da foto, que disputou a final contra o Botafogo no título do pentacampeonato. Em pé: Gélson, Gilmar, Wilson Gottardo, Charles Guerreiro, Piá e Júnior. Sentados: Júlio César, Gaúcho, Zinho, Fabinho e Uidemar.
O time-base da campanha vitoriosa: Gilmar, Charles Guerreiro, Júnior Baiano, Wilson Gottardo e Piá; Uidemar, Zinho e Júnior; Paulo Nunes, Gaúcho e Nélio. Técnico, Carlinhos.
O jogo terminou 2 a 2, com mais de 122.000 pagantes no Maracanã. Na ida, 3 a 0 Flamengo.
PS: Sabem qual a equipe do tetracampeonato, aquele que São Paulo, CBF e Sport brincam em não reconhecer? É a seguinte: Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho (com Aldair no banco!) e Leonardo; Aílton, Andrade e Zico; Renato Gaúcho, Bebeto e Zinho. Técnico, Carlinhos outra vez.
O melhor time que vi jogar. Zé Carlos esteve na Copa de 90. Jorginho, Aldair, Leonardo, Bebeto e Zinho foram tetracampeões mundiais em 94. Leandro, maior lateral-direito desde Carlos Alberto Torres, jogou 82. Edinho também participou de 82, além de 86. Andrade e Renato Gaúcho foram convocados para a seleção, embora não tenham disputado copas do mundo.
E Zico... A ficha é extensa demais.
Aos infiéis e hereges, que certamente arderão nas chamas do inferno, um pouco da História rubro-negra: http://pt.wikipedia.org/wiki/Clube_de_Regatas_do_Flamengo.
Fui ameaçado porque critiquei negativamente Sebastião, O Homem que Bebia Querosene.
Deus do Céu, antes de sair batendo porque alguém discorda da sua própria visão a respeito de qualquer coisa, que tal debater e conversar?
O direito a sensibilidades diferentes está assegurada na democracia. Ou não?
Hoje começo a filmar.
Se chover.
Rede de Intrigas, 1976, de Sidney Lumet.
Soltemos o Howard Beale que existe dentro de nós! Já foram para a janela hoje?
Lembrei da cena porque ontem estreou, nos EUA, Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, novo filme de Sidney Lumet que, na verdade, é bem melhor que Rede de Intrigas (do mesmo nível de Um Dia de Cão, talvez abaixo só de O Veredito)
Impressionante que Lumet, de quem não se esperava mais nada (já passou dos 80 anos, e há pelo menos duas décadas acumula fracassos de público e de crítica por lá), tenha arranjado fôlego para realizar obra tão impactante. Anda cotadíssimo para o Oscar, e confesso que a possibilidade me agrada bastante.
Assim que chegar no circuito daqui, escrevo a respeito. Mas o título, somente para atiçar um pouco, baseia-se no seguinte provérbio irlandês: "may you be in Heaven five minutes before the devil knows you're dead" (que esteja no Paraíso cinco minutos antes que o diabo saiba que você está morto).
Rachel
Why did you ascribe the words at the beginning of your film Pilgrimage to Thomas a Kempis?
Werner Herzog
I have to make a confession. It is a fake quote that I made up myself. I love to do things like that because I want to have the audiences entering the film at a very, very high level. I do the same in Lessons of Darkness. There is quote by Blaise Pascal which I invented myself. It's as good as Blaise Pascal by the way [laughs]. He would welcome this as being part of his work. Joke aside, it's the same thing. It actually has to do with ecstatic truth again. How do I approach a film, how do I step into a film? I step far out into some sort of an almost ecstatic thought and I impregnate the film with that and we are entering into the film in a different way.
A entrevista completa está em http://www.bbc.co.uk/bbcfour/documentaries/storyville/ask-herzog.shtml.
Herzog realmente se supera: escravizou índios, atravessou a Europa a pé, inventou citações para Blaise Pascal...
Moradores do 304, 2007, de Leonardo Cata Preta - ![]()
Não parece, mas vi curtas bons, só que ainda não escrevi sobre eles. Ou filmes de que eu gostei, a diferença existe.
E linkei o site da revista ao lado!
Sebastião, O Homem que Bebia Querosene, 2007, de Carlosmagno Rodrigues - ![]()
Cobertura Curta Cinema. Porque nem só de longa vive o homem.
Embora Sebastião, O Homem que Bebia Querosene, seja pelo menos 12 minutos maior do que deveria.
Não é o Noblat escrevendo.
Copio deslavadamente o estilo do jornalista porque é mais fácil.
Para pensar, inclusive.
Não, não se trata do time. Nem do filme com o mesmo nome do título do post.
Refiro-me ao continente, mais precisamente à América do Sul.
Porque durmo, agora, com ele ao alcance: Flamengo em terceiro, rumo à Libertadores.
Primeiro pentacampeão brasileiro, meu amado rubro-negro ("flamenguista" é a mãe).
Corinthians e Flamengo, talvez, só a partir de 2009. Se o Coringão subir, claro.
E os marginais do Grêmio aprontaram outra, vocês viram? Coisa feia...
Não, não se trata da UFA, pricipal estúdio alemão (e europeu) durante as décadas de 10, 20 e 30.
É interjeição de alívio mesmo, porque acabei de escrever - são 5h43 da manhã - meu artigo sobre Max Ophüls. Pela primeira vez, serei remunerado. Ou seja, vale o esforço.
E falo sobre meu xodó, o que ajuda.
A revista circula no início de 2008. Solto mais informações em breve, porque estou caindo de sono. Mas o projeto, adianto, é mega-bacanoso.
