Guillermo Del Toro já estava confirmado na direção de O Hobbit. Agora, parte do elenco de O Senhor dos Anéis também disse sim para o duo se filmes, com lançamentos previstos para 2010 e 2011. Ian McKellen e Andy Serkis repetem os papéis de Gandalf e Gollum, respectivamente. Resta saber quem interpretará Bilbo Baggins, pois Ian Holm não tem mais idade para encarnar o herói. A equipe técnica dos três longa-metragens de Peter Jackson - que, juntos, ganharam 17 Oscars e faturaram cerca de US$ 3 bilhões nas bilheterias ao redor do mundo - continua.
Peter Jackson, no caso, assume a função de produtor-executivo. Enquanto cineasta mais poderoso do século XXI, prefere dirigir projetos mais "autorais", como The Lovely Bones, que sai em 2009. Mas não abre mão de controlar as filmagens de O Hobbit, que se darão na Nova Zelândia, com o mesmo aparato da Weta Digitals (propriedade de Jackson!).
Vale lembrar que Jackson está produzindo Tintin, de Steven Spielberg, baseado nos quadrinhos de Hergé.
E imaginar que Peter Jackson começou no cinema trash, de baixíssimo orçamento e repleto de humor negro. Exemplo: Meet the Feebles (1989) - realizado entre Bad Taste e Braindead -, espécie de paródia casca grossa aos Muppets, que envolve consumo de drogas, pornografia, palavrões, guerra do Vietnã, assassinatos... e sodomia!
Com vocês, a antológica "The Sodomy Song", cantada pela raposa homossexual entre falos gigantes, gelo seco e camisinhas que se transformaram em balões de festa. Uma mistura de All That Jazz com Coisas Secretas.
Meet the Feebles, de Peter Jackson.
Sodomy
You must think it very odd of me
But I enjoy the act of sodomy
You might call the wrath of God on me
But if you tried it then you might agree
That you enjoy the act of sodomy
Don't worry if you feel ashamed
It's been around for years
Thousands more than can be named
Are interested in rears
Don't worry about hell
No harm will come to your soul
We're not all Pentacostal
But everybody's got an asshole
Let me tell ya 'bout sodomy
You must think it very odd of me
But I enjoy the act of sodomy
You might call the wrath of God on me
But if you tried it then you might agree
That you enjoy the act of sodomy
It might just improve your sex
It's a hard act to follow
The fact that fundamentalists
Find difficult to swallow
So join me as I sing
Of an activity that's fun
Open up your ring
And try it front to bum
Bum-bum
Bum-bum-bum-bum-bum-bum-bum-bum-bum
Sodomy
You must think it very odd of me
But I enjoy the act of sodomy
You might call the wrath of God on me
But if you tried it then you might agree
That you enjoy the act of sodomy
SODOMY!
The Sodomy Song, música e letra de Danny Mulheron.
Se eu tivesse que escolher o melhor filme da década de 2000 (que está prestes a terminar, afinal), certamente cravaria Vai e Vem, último longa-metragem de João César Monteiro. Para justificar minha predileção, vejam a seqüência abaixo, em que João Vuvu esfrega o piso da casa ao som de Oh Bella Ciao!:
Vai e Vem, 2003, de João César Monteiro.
Desde Jacques Tati, ninguém trabalhou melhor com o corpo no cinema do que João César Monteiro. A seqüência se compõe de dois planos, ambos com a câmera estática.
No primeiro, João Vuvu se movimenta conforme a marcação da música. A distância da câmera nos permite ver a totalidade do corpo e, por conseguinte, cada ínfima reação de Vuvu ao ritmo a que deve obediência: olhos, mãos, pés, joelhos, tronco, coxas se mexem para que o ruído produzido pela escova se harmonize com a melodia que toca no aparelho.
Oh Bella Ciao!, hino da Resistência Italiana durante a Segunda Guerra Mundial e verdadeiro hit dos movimentos socialistas que eclodiram na última metade do século XX. Robert Guédiguian a utilizou em À Vida À Morte (1995), na cena em que o velho refugiado da Guerra Civil Espanhola reúne-se à mesa com a família - que sobrevive com o funcionamento do bordel "O Papagaio Azul" - e se relembra dos ideais republicanos, da barbárie franquista e do exílio em Marselha. O comunismo primitivo de Guédiguian aplicado na veia: grupo social que compartilha sentimentos, memórias e vivências para lutar e resistir contra as transformações econômicas, culturais e éticas impostas pelo avanço do liberalismo.
Oh Bella Ciao!
Oh Bella Ciao em italiano:
Una mattina mi son svegliato
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao
Una mattina mi son svegliato
Eo ho trovato l'invasor
O partigiano porta mi via
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao
O partigiano porta mi via
Che mi sento di morir
E se io muoio da partigiano
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao
E se io muoio da partigiano
Tu mi devi seppellir
Mi seppellire lassù in montagna
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao
Mi seppellire lassù in montagna
Sotto l'ombra di un bel fiore
E le genti che passeranno
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao
E le genti che passeranno
Mi diranno: "Che bel fior"
È questo il fiore del partigiano
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao
È questo il fiore del partigiano
Morto per la libertà
Oh Bella Ciao! em inglês:
One morning I woke up
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao
One morning I woke up
And I found the invader
Oh partisan, carry me away,
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao
Oh partisan, carry me away,
For I feel I'm dying
And if I die as a partisan
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao
And if I die as a partisan
You have to bury me
But bury me up in the mountain
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao,
But bury me up in the mountain
Under the shadow of a beautiful flower
And the people who will pass by
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao,
And the people who will pass by
Will say to me: "what a beautiful flower"
This is the flower of the partisan
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao
This is the flower of the partisan
Who died for freedom
Em Vai e Vem, ao contrário, Oh Bella Ciao! desponta como pura ironia. A música libertária serve, na verdade, para aprisionar o corpo de João Vuvu, que não apenas está atado ao ritmo que se repete e aos movimentos que ele impõe, como também, e principalmente, à mulher que surge no segundo plano.
O significado do primeiro plano se completa apenas com o segundo: é o sexo quem subjuga João Vuvu, que se torna escravo das próprias pulsões. Monteiro representa a mulher, símbolo máximo do desejo e da opressão masculina, ao mesmo tempo diáfana e carnalmente, pois se assume a postura da Maja Desnuda (ou da Maja Vestida?) de Francisco Goya, misteriosa e sensual, ela o faz entre objetos de cena (poltrona, abajures) e com atos (pintar as unhas) para lá de humanos.
A Maja Desnuda, de Francisco Goya.
Sobre as Majas de Goya, escrevem Rose-Marie e Rainer Hagen:
"Foi esse também o caso da sua Maja Desnuda. Em Espanha, os nus eram proibidos pela Igreja e confiscados pela Inquisição. No séc. XVIII, dois dos monarcas espanhóis, provavelmente por recomendação dos seus confessores, quiseram até queimar todos os nus das coleções reais. Em ambas as ocasiões, as pinturas em questão, que incluíam obras de Ticiano e Velázquez, foram salvas por outros amantes de arte.
O nu mais importante na história da arte espanhola, antes de Goya, foi pintado por Velázquez - não uma mulher real, mas uma Vênus ao Espelho, hoje conhecida como a Toilete de Vênus. Velázquez acrescentou um rapaz com asas, um Cupido, como seu companheiro, elevando assim a beldade recostada dos meandros do quarto para alturas mitológicas. Está deitada de costas para o espectador, de forma a que o seu peito e a zona púbica permaneçam escondidos. Ao contrário, Goya não procura qualquer camuflagem mitológica para o seu nu, cujo corpo está virado para o espectador e cujas mãos estão cruzadas atrás da cabeça e não, como é usual em muitos nus femininos, sobre a área púbica. Desde a Renascença que, por toda Europa, apareciam nus de Vênus. Habitualmente, ela sorria graciosamente ou com os olhos semicerrados, permitindo ao espectador aproximar-se sem que fosse visto. O mesmo não acontece na pintura de Goya. a maja fixa a pessoa para quem se despira, contemplando-a criticamente, sem sorrir, e mantém-se atenta, conservando um ar de marcialidad - desta forma lançando um desafio ao cliente ou ao espectador ofendido.
Goya pintou a sua Maja Desnuda entre 1797 e 1800 para Manuel Godoy, o ministro e amante da rainha. Só um homem tão poderoso como Godoy se atreveria a contrariar diretamente as disposições do Santo Ofício. Seguiu-se a Maja Vestida, entre 1800 e 1805. Pensa-se que Godoy mostrava aos seus convidados tanto a versão nua como a vestida, dependendo de quem se tratava. Possuía, também, a Vênus de Velázquez. Em 1815, Godoy foi demitido pelo novo rei Fernando VII e sua coleção de pinturas confiscada. A Inquisição intimou Goya a comparecer perante o seu tribunal, onde teria de desender a sua Maja Desnuda. Embora não tivesse sido condenado, sabia que o Santo Ofício o vigiava antentamente".
A Maja Vestida, de Francisco Goya.
Nada mais humano e feminino que a menstruação - de etérea à mundana, a mulher da seqüência chama João Vuvu de fora do quadro e lhe ordena: "Vuvu! Estou com sangue! Traga-me mel para passar à cona!" (de início, os dois planos parecem desconectados entre si, até que o ruído de Vuvu esfregando o piso invade a tela). Estabelece-se, desse modo, a relação entre a abelha-rainha, que domina, e o zangão, que obedece, visando exclusivamente ao coito - após a cópula, o macho, na maioria das espécies, invariavelmente morre, pois não possui outra função).
Resta a João Vuvu - feliz, é claro! - convocar as operárias para fabricar o mel.
O mantra fundamental da minha vida, que me mantém saudável, é "não sinta pena de quem possui mais dinheiro do que você". Talvez por isso não leve o liberalismo a sério. Ou qualquer outra crença econômica, na verdade. Se podemos escrever sobre o amor, por que diabos tratar do mercado?
Que chatice.
De qualquer modo, Walter Salles acaba de ser indicado novamente à Palma de Ouro em Cannes por Linha de Passe (já o havia por Diários de Motocicleta). E também ganhou Berlim e o Globo de Ouro com Central do Brasil.
Mas tenho certeza, pelo resultado na GT3, que ele dirige bem melhor carros do que filmes!
Rogério... quem mesmo? Enquanto goleirinho do São Paulo engole frango...
"Puta que o pariu, é o melhor goleiro do Brasil... Bruno!"
E canta a torcida rubro-negra, com a boa educação e alta cultura que lhe é peculiar! Na dífícil partida contra o Coronel Bolognesi - ou Capitão Calabresa, como diz Flávio Gomes, da ESPN Brasil -, Bruno, além de fechar o gol atrás, resolveu também lá na frente. Golaço de falta, que deixou Penny estático debaixo dos paus (adoro esses bordões picaretas)!
Jogo difícil, culpa do Flamengo. Estávamos mais preocupados em fugir do América do México (de quem não escapamos) nas oitavas-de-final, e assim Joel Santana - de malas prontas para a África do Sul - não escalou Íbson e Renato Augusto. Ou seja, justamente aqueles que, com os laterais, dão criatividade ao time repleto de volantes. Ao ver o meio-campo formado por Jaílton, Cristian, Kléberson e Toró, tive certeza de que a noite seria bastante longa.
The Clipboard Man, ou Mr. Nobody, deixou Marcinho mais perdido do que cego em tiroteio. Ele foi encarregado de correr para lá e para cá, de armar todas as jogadas rubro-negras, com o valoroso auxílio de Souza, que prendia a bola entre dezenas de zagueiros peruanos (não se trata de figura de linguagem, o Coronel Bolognesi jogou mesmo completamente recuado). Juan e Léo Moura, por sua vez, "derivavam" para o meio e não acertavam uma, enquanto Toró outra vez era premiado com o cartão amarelo e Kléberson mandava seus chutes nas bandeirinhas de escanteio.
E então ele, Bruno, veio lentamente de sua meta para cobrar aquela falta mítica, concebida desde o início dos tempos! O Maracanã como epicentro da Criação, onde galáxias colidiram para gerar a mais bela das obras-de-arte!
Para confirmar as forças cósmicas em questão - "Deus não joga dados", lembrem-se de Einstein! -, Obina ainda fez o segundo gol.
Que venha o América do México! Dificuldades existem: enfrentaremos longa viagem (12 horas), altitude (2.335 metros) e as finais do estadual.
Mas se o Senhor está a nosso favor, quem estará contra nós?
Começaram ontem os playoffs da NBA. Todos os favoritos venceram - inclusive o San Antonio Spurs que, em virada incrível, bateu o Phoenix Suns apenas na segunda prorrogação, por 117 a 115.
Mas o jogo que me interessa acontece hoje: meu Boston Celtics enfrenta o Atlanta Hawks às 21h30, horário de Brasília, no TD Banknorth Garden (ou The Garden, para os íntimos).
Terminamos com a melhor campanha da temporada regular, 66 vitórias e 16 derrotas - duas a menos que o recorde da franquia, alcançada pela equipe campeã de 1972-1973. O trio de ferro composto por Kevin Garnett, Paul Pierce e Ray Allen - devidamente escoltado por Rajon Rondo, Kendrick Perkins, Eddie House, Tony Allen, James Posey, Leon Powe, Glen Davis, Sam Cassell, P.J. Brown, Gabe Pruitt e Brian Scalabrine - levou o Celtics a impressionantes 42 conquistas a mais que no ano anterior (dos catastróficos 24 - 58). Ponto também para Doc Rivers e sua comissão técnica, que forjaram a melhor defesa da NBA: apenas 90.3 pontos sofridos por partida!
Enquanto na Conferência Oeste os times se matam entre si, com campanhas muito parecidas, no Leste a caminhada do Boston deve ser bem mais tranqüila. Após os Hawks, possivelmente enfrentaremos LeBron James (que, como Kobe Bryant, é capaz de ganhar jogos sozinho) e, na final, clássico contra o Detroit Pistons - a equipe que forçou o ocaso da geração de Larry Bird e Cia, no final dos anos 80. Justiça poética!
Meu amor pelos Celtics será finalmente recompensado, espero, com o 17o. título da NBA. Os anos de vergonha terminaram: somos de novo a equipe a ser batida, os melhores, legítimos herdeiros de Bill Russell, Bob Cousy, Larry Bird, John Havlicek e tantos outros craques que vestiram o mítico uniforme verde de Boston.
Romário se aposentou (por enquanto) e, embora jogando a maior parte da carreira no Vasco, não teve dúvidas em dizer que a melhor torcida é a do Flamengo!
Agora, qualquer nota a jornalista que puxa todos os erres para falar "PSV Eidhoven"!
Após as dançarinas de axé, chega a vez das atrizes pornôs sentirem a plancha de Compadre Washington!
Todos já sabem: Compadre Washington, a eminência parda dos grupos baianos de axé, resolveu penetrar a indústria pornô: ele assinou para estrelar, no Havaí, produção ao lado de uma loira e de uma morena, referência explícita - como o sexo - ao imortal É o Tchan.
Dize-me com quem andas, e eu te direis quem és!
Maior poeta contemporâneo da Música Popular Brasileira, Compadre Washington nos legou bordões e frases inesquecíveis, que enriqueceram enormemente (mais e maior que Kid Bengala) a língua portuguesa:
- "É no tchaco ou no tchutchu?"
- "Ela fez a cobra subir, a cobra subir, a cobra subir!"
- "Tchaaan tchannn, tchu tchu tchu tchu-pá!!!"
- "Quebra, ordinária!"
- "Ai que beleza! Que maravilha! Isso é magnífico, mãe!"
- "Rala ralando o tchan aê! Rala ralando o tchan! Habib!"
- "Deu em cima, deu em baixo, na dança do tchaco!"
- "Olha o quibe!"
- "Olha a plancha!"
- "Cheguei no oásis, ordinária! Tô todo molhadinho!"
Quatro momentos antológicos de Compadre Washington no É o Tchan: "A Dança do Bumbum", "Dança do Ventre", "É o Tchan no Havaí" e "É o Tchan na Selva". Como esquecer Beto Jamaica, Carla Perez, Sheila Carvalho, Sheila Mello e Jacaré?
Na sacanagem!
Olha o quibe!
Rema, rema, ordinária!
Eu gostcho muitcho!
Depois falam que o cinema nacional não fica em pé! Não só está ereto, como também se coloca de quatro e de ladinho com este timaço de atores e atrizes: Alexandre Frota, Oliver, Marcelo Ribeiro, Regininha Poltergeist, Vivi Fernandez, Bruna Ferraz, Gretchen, Thammy Gretchen, Rita Cadillac, Júlia Paes e Márcia Imperator!
Mas todos, claro, acabarão ofuscados pela pujança de Compadre Washington!
Se Shine a Light é apenas um show de rock filmado, espero que todas as bandas contratem Martin Scorsese para gravá-las.
Mas claro que, na verdade, estamos diante de um filmaço maravilhoso. Os Rolling Stones que, para não sentirem a passagem do tempo e o envelhecimento do corpo, e em troca do nirvana artístico alcançado no palco, vendem a alma ao demônio.
Fausto! Ou Doutor Fausto. Thomas Mann já havia notado as implicações mefistofélicas da arte (Klaus Mann também, a família era obcecada pelo tema), que Scorsese explora em Shine a Light. O próprio diretor, aliás, assume o papel deste Mefisto picareta, que conduz nas sombras o espetáculo, com as câmeras onipresentes, com a montagem, com a escolha do teatro Beacon e do cenário, de todos os enquadramentos...
Quais músicas, e a ordem em que foram tocadas, ficaram sob responsabilidade da banda. Podemos entendê-las, no entanto, como o "roteiro" do filme - Scorsese trata de explicar a diferença entre "o quê" e "como" logo antes do início do show: se a primeira música tiver sua força nas guitarras, a câmera deverá começar em Keith Richards, não em Mick Jagger! Como filmar, a arte do diretor de cinema, que faz toda a diferença.
Sympathy for the Devil, de Mick Jagger e Keith Richards.
Ainda voltarei a Shine a Light em outras oportunidades. Preciso falar do Teatro Beacon, da platéia, das câmeras que aparecem, da disposição de algumas músicas - principalmente Sympathy for the Devil -, do final. Que final! Scorsese homenageando Max Ophüls.
Para terminar, possuo o hábito de ver os créditos até o fim. Sem contar Robert Richardson, diretor de fotografia do longa, duas vezes ganhador do Oscar (JFK e O Aviador), fiquei besta com o time de operadores de câmera que trabalharam em Shine a Light. Alguns deles: Robert Elswit (acabou de levar o Oscar por Sangue Negro), John Toll (dois Oscars consecutivos, por Lendas da Paixão e Coração Valente), Andrew Lesnie (Oscar por O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel) e Emmanuel Lubezki (4 indicações ao Oscar).
Vocês se lembram se outro show filmado que tenha reunido tantos craques?
Flamengo prova que Cienciano estava certo: altitute não mata.
Nem teve graça. Eu esperava uma vitória épica, conquistada a ferro e fogo... "A Batalha do Altiplano!", "A Segunda Tomada de Cuzco, 500 anos após Pizarro!!". Mas o Cienciano é tão ruim, mas tão ruim, que mesmo Toró conseguiu jogar bem!
A equipe que nasceu da Universidade de Ciências local não honrou as tradições do Império Inca (cuja capital era Cuzco), e jamais deu calor ao Flamengo. Chuveirinhos na área, muitos passes errados. De perigosos, apenas alguns chutes de longe, bem defendidos por Bruno.
Burro: mascote apropriado do Cienciano.
Pena que o Flamengo demorou a perceber que o adversário era uma baba! Jogou o primeiro tempo inteiro recuado, sem contra-ataque, na base dos chutões e dos lançamentos para frente. Leonardo Moura e Juan estavam sumidos, Kleberson e Toró apenas marcavam, Ibson tentava sozinho armar as jogadas no meio-campo. Isolados no ataque, Renato Augusto e Souza trombavam com os zagueiros e, invariavelmente, perdiam as disputas.Modorrenta, a partida se arrastou, sem chances de gol de parte a parte, até o intervalo.
Cristo Blanco, em Cuzco: o do Corcovado é maior e mais forte!
Cuzco, patrimônio cultural da Humanidade pela Unesco, possui cerca de 300 mil habitantes e se situa a 3.310 metros de altitude. A luta do Flamengo contra jogos acima da altura máxima permitida pela FIFA (2.750m)) revoltou a população da cidade - que, curiosamente, é irmã do Rio de Janeiro -, gerando protestos bem-humorados na chegada rubro-negra ao Peru. Mas, como disse o poeta Léo Moura, "Quem já jogou em Potosí não tem que se preocupar com 3.400 metros. Lá é muito pior, né?".
Lembrando: em Potosí, a 4.000 metros, o Flamengo empatou em 2 a 2 ano passado. De modo que, contra o Cienciano, era apenas colocar a bola no chão e partir para cima, o que fizemos no segundo tempo. Os laterais avançaram como de costume, Kleberson ajudou Ibson na armação do meio-campo, Souza abriu pelas pontas e fez o belíssimo passe para o primeiro gol, Renato Augusto aprendeu a chutar!
Com a expulsão de Balazar, tudo ficou ainda mais fácil. O Cienciano pressionou desordenadamente, abrindo espaços na defesa que levaram ao segundo gol, pelo mesmíssimo lado direito. Toró, que cansou de fazer besteira contra o Nacional e o Botafogo, marcou, correu, e lembrou seus tempos de atacante em Xerém, nos juniores do Fluminense. Para completar a exibição de gala, Juan acertou golaço de falta, lá onde a coruja dorme, já nos descontos (acréscimos é a mãe!).
Flamengo já está classificado. Cienciano precisa rezar.
Estamos classificados para as oitavas-de-final. Vencemos o Cienciano, a altitude, a torcida adversária, as provocações. Com 10 pontos, o Flamengo encerra a primeira fase da Libertadores dia 23/04, contra o Coronel Bolognesi, no Maracanã. Vitória simples nos garante a liderança do grupo e a vantagem do mando de campo no mata-mata.
O pobre coitado do Cienciano, que confiou nos 3.310 metros acima do morro, precisa, ao contrário, descer a Montevidéu para encarar o Nacional. Só a vitória lhe classifica, enquanto o empate basta ao time uruguaio.
Os torcedores do Cienciano podem desde já peregrinar por todas as igrejas de Cuzco, heranças da colonização espanhola. Como a altitude não mata, comecem a rezar!
Contra a indigestão provocada pelo funk, vide bula.
Manchete de hoje no jornal Meia-Hora:
"Mulher-Filé gosta de vuco-vuco bem demorado".
Se Guimarães Rosa fosse vivo, não conseguiria escrever neologismos tão ricos para a língua portuguesa!
Vuco-vuco, como se sabe, significa coito - substantivo masculino, do latim "coitu": relação sexual, acasalamento, cópula.
Reflito sobre a enxurrada de mulheres frutas, legumas, verduras, alimentos-em-geral do funk. Depois da Mulher-Melancia, da Mulher-Jaca, da Mulher-Moranguinho e da Mulher-Filé, qual a próxima?
Dentinho com a camisa... original... do Corinthians.
O terceiro uniforme do Flamengo - Papagaio-de-Vintém - é horrendo. Vi hoje na loja. Mas o que dizer da camisa roxa do Corinthians? Aumentar as receitas do clube não justifica tamanho mau-gosto estético! E onde estão as cores tradicionais? Cadê o alvi-negro quase centenário, de tantas glórias?
No Paulistão, Corinthians já leva ferro com a nova camisa.
A Nike realmente caprichou na dupla de maior torcida do Brasil. Pelo menos, no caso do Flamengo, manteve o rubro-negro!