Archivos junho 2009

Começa amanhã o colóquio internacional Cinema, Tecnologia e Percepção - Novos Diálogos, na Cinemateca do MAM. Ainda dá tempo para se inscrever (no link ao lado), de graça.

Estarei lá, pelo menos para ver os debates que não sejam chatos demais. Os temas já me interessaram - hoje, prefiro a História do cinema, os clássicos. Danem-se as pós-mídias, caminhos fáceis para mestrados e doutorados em comunicação! Voltemos a John Ford, Howard Hawks, King Vidor, Alan Dwan, DeMille, Griffith, Raoul Walsh, para ficar só nos pioneiros americanos.

Segue a ficha completa do evento, que roubei do site oficial:

Realização:

Laboratoire d'Études et de Recherches
sur Les Logiques Contemporaines de la Philosophie
Université Paris VIII

Programa de Pós-Graduação em Comunicação,
Universidade Federal Fluminense
PPGCOM / UFF

Escola de Comunicação e Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura,
Universidade Federal do Rio de Janeiro
ECO / UFRJ

Escola de Belas Artes,
Universidade Federal do Rio de Janeiro
EBA/ UFRJ

Programa de Pós-Graduação em Comunicação,
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
PPGCOM / UERJ

Programa de Pós-Graduação em Comunicação,
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

PósCom / PUC-Rio

Objetivo:

O principal objetivo deste encontro entre pesquisadores franceses, brasileiros e argentinos consiste em discutir o estatuto do cinema e da imagem diante da sua renovação radical sob o impacto das novas tecnologias.

Confrontando essa atualidade às mudanças precedentes que têm marcado a "sétima arte", serão interrogados os novos regimes de percepção, tanto no que concerne às suas implicações no domínio da estética e da comunicação como no campo da política e da filosofia.

Parte-se do pressuposto de que as críticas de cinema tradicionais, ainda ancoradas no universo das tecnologias analógicas, precisam ser reformuladas e amplificadas a fim de atingir o estudo de fenômenos midiáticos e artísticos que estão contribuindo para o surgimento de novos formatos audiovisuais.

A partir desse núcleo temático, o colóquio se propõe a efetuar uma análise comparativa entre o surgimento do cinema, durante os processos de modernização ocorridos no final do século XIX, e seu estatuto na contemporaneidade sob a influência das tecnologias digitais.

A intenção é promover novas perspectivas para examinar os conceitos de imagem e movimento, bem como as categorias de tempo e espaço, e seus efeitos na produção de novos modos de difusão e percepção dos materiais audiovisuais.

Sessões Temáticas:

1. Cinema, tecnologia e poder
O objetivo desta sessão consiste emtraçar uma genealogiadas relações entre cinema, tecnologia e percepção desde sua emergência até os dias atuais. Essa abordagem histórica servirá de base para a compreensão do lugar do cinema no mundo contemporâneo, quando a experiência se torna cada vez mais amalgamada à aparelhagem tecnológica. Neste novo contexto, a imagem cinematográfica e os modos de percepção se reorganizam em função de diversas redes de comunicação, novas formas artísticas e de espetáculo, novos sistemas de controle, dispositivos de poder e saberes tecnocientíficos.

2. Do olho ao cérebro: cinema, corpo e percepção
As matrizes clássicas do espetáculo cinematográfico, baseadas na identificação "olhar-sujeito" e no modelo óptico como forma dominante, estão sendo reformuladas com o advento de novas molduras narrativas e outros espaços de visualização e imersão. Essas transformações vêm atreladas ao uso intensivo de ferramentas digitais na criação e difusão de imagens. É possível detectar os vínculos entre esses processos e a emergência de um novo modelo de espectador, junto ao surgimento de novas formas de organização corporal edificadas sob a égide da equação "cérebro-sujeito". Neste contexto entra em jogo, também, a contínua incorporação de meios interativos e de tecnologias da telepresença, bem como outros dispositivos emanados do universo digital.

3. O cinema em jogo: interatividade, imersão e multimídia
Esta sessão discutirá a recente expansão da imagem cinematográfica para múltiplos espaços de exibição, conquistando novos tipos de telas para a exposição e outros mecanismos de circulação. Esse afrouxamento das margens do cinema está contribuindo para a produção de formas inéditas de experiências ópticas e hápticas (ou táteis), não apenas no espaço doméstico e nas ruas das cidades, mas também em museus, galerias de arte, parques de diversões e até nos meios de transporte. Cabe acrescentar, também, a dilatação da experiência cinematográfica que acompanha a popularização dos aparelhos portáteis de entretenimento e comunicação. As técnicas de reprodução digital habilitaram uma reconfiguração do dispositivo cinematográfico clássico e uma abertura para a convergência multimídia, anunciando novos regimes de imersão, agenciamento e interatividade que põem em crise o espaço clássico de exibição do filme e os conceitos tradicionais de imagem, cinema e espectador.

4. O novo bioscópio: cinema, realismo e autoficção
Os novos canais para a circulação de imagens que proliferam na Internet, tais como Youtube, Orkut, MySpace, Facebook, Twitter e os blogs, fotologs e videologs, têm propiciado a exploração de linguagens que embaralham as fronteiras entre o real e a ficção. Esses novos dispositivos audiovisuais permitem a construção de autoficções, tanto para seus autores, narradores e protagonistas, como para seus leitores e espectadores. Nesses espaços interativos surgem experiências inéditas quanto à sociabilidade e à produção de subjetividade. Esta sessão focalizará os diálogos entre o cinema contemporâneo e essas novas modalidades de expressão e comunicação, nas quais proliferam o culto à imagem de si, o imperativo da visibilidade e uma construção espetacular da realidade.

Programação:

30/06/2009

Abertura (18:30)
Apresentação do Colóquio Internacional
Cinema, Tecnologia e Percepção: novos diálogos
Eric Lecerf (Paris VIII), Paula Sibilia (UFF) e Tadeu Capistrano (UFRJ)

Conferência (19:00 - 20:30)
O que figura o figurante: o "casting" daquele ou daqueles que representam o povo.
Marie-Jose Mondzain (École des Hautes Études en Sciences Sociales, França)
Mediação: César Guimarães

01/07/2009

Manhã
Sessão temática 1: Cinema, tecnologia e poder

Mesa redonda A (9:00 - 11:00)
Cinema, julgamento, repetição
Andréa França (PUC-Rio)

O que fazem as imagens quando não estamos olhando para elas?
Maurício Lissovsky (UFRJ)

O que se constrói do trabalho e da percepção na passagem do cinema mudo ao falado
Eric Lecerf (Paris VIII)

Mediação: Ivana Bentes

Mesa redonda B (11:15 - 13:00)
Poderes e resistências: O documentário contemporâneo brasileiro
Cézar Migliorin (UFF)

Arte e percepção: O cinema como questão política
Hernán Ulm (UNSA)

Regimes de visualização e bioestéticas no capitalismo cognitivo
Ivana Bentes (UFRJ)

Mediação: Erick Felinto

Tarde
Sessão temática 2: Do olho ao cérebro: Cinema, corpo e percepção

Mesa redonda A (14:00 - 16:00)
O trem, a fotografia, o telefone e o cinema em Proust: As mídias e a percepção do tempo
Adalberto Müller (UFF)

Vampyrotheutes infernalis: Imagem, mídia e vampirismo
Erick Felinto (UERJ)

Estatuto e emprego da imagem em criptozoologia
Stefanie Baumann (Paris VIII)

Mediação: Maria Cristina Franco Ferraz

Mesa redonda B (16:30 - 18:30)
Do cinema moderno à nova ficção audiovisual seriada: Atenção, polissemia e biopolítica
Ícaro Ferraz Vidal Junior (UFRJ)

Cérebro e memória em descontinuidade: "Je t'aime Je t'aime", de Resnais
João Luiz Vieira (UFF)

Cinema, cérebro, memória
Maria Cristina Franco Ferraz (UFF)

Mediação: Paula Sibilia

Noite
Conferência (19:00-20:00)
A imagem como ficção do visível
Jean-Henri Roger (Univ. Paris VIII)

Mediação: Eric Lecerf

02/07/2009

Manhã
Sessão temática 3: O cinema em jogo: Interatividade, imersão e multimídia

Mesa redonda A (9:00 - 11:00)
Cinema e presença: A relação como forma nas instalações contemporâneas
Kátia Maciel (UFRJ)

O cinema e a condição pós-midiática
Arlindo Machado (PUC-SP)

Audiovisual pré-digital e pós-analógico na América Latina
Jorge La Ferla (UBA)

Mediação: Adalberto Müller

Mesa redonda B (11:15 - 13:00)
Cinema em trânsito
André Parente (UFRJ)

O inimaginável: O que falta às imagens
Plínio Prado Jr. (Paris VIII)

Os paradoxos da imagem em movimento
Marie Bardet (Paris VIII)

Mediação: Arlindo Machado

Tarde
Sessão temática 4: O novo bioscópio: cinema, realismo e autoficção

Mesa redonda A (14:00 - 16:00)
Práticas artísticas contemporâneas e imagens de arquivo
Consuelo Lins (UFRJ)

Jogos de cena: Confissão, ensaísmo e autoficção em alguns documentários contemporâneos
Ilana Feldman (USP)

Comum, ordinário, popular: figurações do outro no documentário brasileiro
César Guimarães (UFMG)

Mediação: Paula Sibilia

Mesa redonda B (16:30 - 18:30)
Reversões do espetáculo e da vigilância nos dispositivos audiovisuais contemporâneos
Fernanda Bruno (UFRJ)

O grande baú virtual: Na era digital, as imagens (e sons) de família vão parar na Internet
Lígia Diogo (UFF)

Espetáculo e solidão: A construção de si como um personagem audiovisual
Paula Sibilia (UFF)

Mediação: Ilana Feldman

Noite
Conferência (19:00 - 20:00)
A experiência artística imagética para além de suas imagens
Sofia Panzarini (UBA)

Mediação: Tadeu Capistrano (UFRJ)

Carlos Hugo Christensen

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No Abras Nunca Esa Porta, de Carlos Hugo Christensen.

Lamentável a mini-retrospectica de Carlos Hugo Christensen (1914 -1999), que começou ontem e se encerra domingo, na Cinemateca do MAM. O Cinesul trouxe apenas cinco filmes, da fase argentina do cineasta, todos em DVD.

Para não me acusarem de má vontade, lembro que o MAM possui cópias de Crônica da Cidade Amada, O Menino e o Vento, A Morte Transparente, Anjos e Demônios e A Intrusa, pelo menos.

E a desculpa de que o Cinesul se volta apenas para filmes latino-americanos não cola. A obra de Carlos Hugo Christensen se estende por Argentina e Brasil - além de outros países da América do Sul (Armiño Negro, do Peru). Façam a homenagem direito!

sab 20
16h - Cinesul - La Pequeña Señora de Perez, de Carlos Hugo Christensen. Argentina, 1944. 90'. Versão original sem legendas. Cópia em DVD. Classificação etária 16 anos.

18h - Cinesul - La Muerte Camina em la Lluvia, de Carlos Hugo Christensen. Argentina, 1948. 79'. Versão original sem legendas. Cópia em DVD. Classificação etária 16 anos.

dom 21
16h - Cinesul - La Trampa, de Carlos Hugo Christensen. Argentina, 1949. 92'. Versão original sem legendas. Cópia em DVD. Classificação etária 16 anos.

18h - Cinesul - No Abras Nunca Esa Puerta, de Carlos Hugo Christensen. Argentina, 1952. 85'. Versão original sem legendas. Cópia em DVD. Classificação etária 16 anos.

Panorama do Cinema Francês

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Juliette Binoche em Horas de Verão, de Olivier Assayas.

Durante a semana, Panorama do Cinema Francês no Brasil. Imperdível, apenas Horas de Verão, de Olivier Assayas, que passou na Mostra São Paulo. Kristin Scott Thomas recebeu indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz por Há Quanto Tempo que Te Amo. Sábado e domingo, sessões com debates.

A programação (todos os filmes no Espaço de Cinema):

Dia 20
15h00 Faubourg (bate-papo com Christophe Barratier)
18h00 Bem-Vindo (bate-papo com Philippe Lioret)
21h00 Há Tanto Tempo que Te Amo (bate-papo com Elsa Zylberstein)

Dia 21
15h00 OSS 117, Rio Ne Répond Plus
18h00 Horas de Verão (bate-papo com Charles Berling)
21h00 Paris 36 (bate-papo com Cédric Klapisch e Gilles Lellouche)

Dia 22
13h30 Faubourg
16h00 Bem-Vindo
18h30 Horas de Verão
21h00 Há Tanto Tempo que Te Amo

Dia 23
13h30 Bem-Vindo
16h00 Faubourg
18h30 Há Tanto Tempo que Te Amo
21h00 Horas de Verão

Dia 24
13h30 Horas de Verão
16h00 Há Tanto Tempo que Te Amo
18h30 Faubourg
21h00 Bem-Vindo

Dia 25
13h30 Há Tanto Tempo que Te Amo
16h00 Horas de Verão
18h30 Faubourg
21h00 Bem-Vindo

As sinopses:

Bem-Vindo, de Philippe Lioret.

Para impressionar e reconquistar sua mulher, Simon, guarda-vidas numa piscina da cidade de Calais, assume o risco de ajudar secretamente um jovem refugiado curdo que quer atravessar o canal da Mancha a nado.

Faubourg, de Christophe Barratier.

Num bairro popular do norte de Paris, a eleição durante a primavera do governo da Frente Popular suscita as mais loucas esperanças e atiça os extremos. É nesse clima que três trabalhadores do mundo do espetáculo, desempregados, decidem ocupar à força o "music-hall", onde ainda há poucos meses trabalhavam para montar um grande espetáculo. Este lugar será o palco da mais efêmera das belas aventuras.

Há Tanto Tempo que Te Amo, de Philippe Claudel.

Durante 15 anos, Juliette não manteve nenhum contato com sua família que a
tinha rejeitado. Depois de a vida tê-las violentamente separado, ela volta a se encontrar com sua irmã mais nova, Lea, que a acolhe em sua casa onde mora com seu marido Luc, o pai dele e suas duas filhinhas.

Horas de Verão, de Olivier Assayas.

É verão. Na casa de campo da família, Frédéric, Adrienne, Jérémie e seus filhos, festejam o aniversário de 75 anos da mãe, Hélène Berthier, que consagrou toda a sua vida à preservação da obra de seu tio, o pintor Paul Berthier. O súbito desaparecimento de Hélène alguns meses depois vai obrigá-los a lidar com incômodos objetos do passado. Será que esta família que parece tão feliz vai poder continuar unida?

OSS 117, Rio Ne Répond Plus, de Michel Hazanavicius.

Doze anos após suas aventuras no Cairo, o agente OSS 117 está de volta para uma nova missão do outro lado do mundo. Seguindo a trilha de um microfilme comprometedor para o Estado francês, o mais célebre dos seus agentes vai ter que trabalhar com a mais sedutora tenente-coronel do Mossad para capturar um chantagista nazista. Das praias ensolaradas do Rio à luxuriante floresta amazônica, das mais profundas grutas secretas até as alturas do Corcovado, uma nova aventura começa.

Paris 36, de Cédric Klapisch.

Um parisiense que está doente se pergunta se vai morrer. O seu estado faz com que ele veja de maneira nova e diferente as pessoas que o rodeiam. O fato de encarar a morte faz com que a vida, de repente fique mais bela. Pessoas sem nada em comum - um feirante, uma padeira, uma assistente social, um dançarino, um arquiteto, um sem teto, um professor de faculdade, uma modelo, um clandestino africano - cada uma com seus problemas, banais porêm essenciais, encontram-se reunidas nesta cidade e neste filme.

PS: Vejam Klapisch por conta e risco. Depois, não digam que não avisei!

Holocausto

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Com o lançamento de Os Falsários, a revista Época listou 14 filmes para entender o Holocausto.

Eu incluiria apenas A Espiã (e talvez Bastardos Inglórios que, claro, não vi). Como resposta, escolhi outros 14 filmes, bem mais importantes:

O Grande Ditador, 1940, de Charles Chaplin.

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Charles Chaplin disse que não faria O Grande Ditador se soubesse dos campos de concentração. Demagogia ou não, o primeiro "talkie" de Chaplin, realizado no calor da hora - a produção começou em 1938, antes que a Segunda Guerra eclodisse! -, continua das mais virulentas e precisas análises da estrutura de poder nazista e dos acontecimentos históricos que a desencadearam.

O Estranho, 1947, de Orson Welles.

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Talvez o primeiro filme de Hollywood a lidar com refugiados de guerra nazistas (Orson Welles, "the stanger" do título, esconde-se em pequena cidade dos EUA, assume outra identidade, mas acaba descoberto por Edward G. Robinson), bem como o primeiro a usar material de arquivo dos campos de concentração.

Noite e Neblina, 1955, de Alain Resnais.

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Dez anos após o fim da Segunda Guerra, Alain Resnais filma os campos de concentração polonenes. O diretor alterna imagens dos complexos em ruínas, abandonados, com outras de arquivo, quando a máquina nazista estava a pleno vapor. Resnais não fala somente do Holocausto, mas de 9 milhões: judeus, ciganos, negros, homossexuais, comunistas, deficientes - todos que não se adequavam ao ideal ariano de Hitler.

Descrição de Um Combate, 1960, de Chris Marker.

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Chris Marker registra o dia-a-dia da jovem nação israelense e conclui que, diferente de outros países, Israel não possui o direito de cometer injustiças, já que nasceu para repará-las.

Exodus, 1960, de Otto Preminger.

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Após a Segunda Guerra Mundial e o horror do nazismo, judeus de toda a Europa imigram à Palestina, então colônia britânica. Em 1948, surge o Estado de Israel, que Preminger mostra em plena formação: colcha de retalhos que engloba sionistas, comunistas e militares, os quais vivem entre o idílio dos kibutzes e a realidade sangrenta da guerra contra os árabes. Inesquecível a sequência em que Sal Mineo lembra do campo de concentração, a fim de se alistar na milícia armada.

Cabaret, 1972, de Bob Fosse.

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A República de Weimar se transforma em circo. Oficiais nazistas gradativamente substituem os rostos da velha democracia na platéia do Kit-Kat Klub, onde as músicas e piadas do Mestre de Cerimônias perdem lugar para a nova ordem que se impõe. Qual será o futuro dos judeus Fritz Wendel e Natalia Landauer, que se casam às vésperas de Hitler assumir o poder?

Lacombe Lucien, 1974, de Louis Malle.

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Lacombe Lucien, jovem rude, ignorante, pobre e sem perspectivas, preso no cotidiano rural que despreza, vê no nazismo a chance de subir na vida. Ele não compartilha da ideologia racista e antissemita - tanto que se apaixona por uma judia -, mas se aproveita do regime para alcançar status e poder (embora seja mera figura de terceiro escalão). Personagem similar reaparece em Adeus Meninos: o empregado da escola que denuncia os alunos judeus aos alemães.

Cidadão Klein, 1976, de Joseph Losey.

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Na França de Vichy, o burguês Robert Klein lucra com a deportação de judeus para os campos de extermínio. No entanto, quando a polícia o confunde com seu homônimo judeu, procurado por crimes em Paris, a vida do escroque se transforma no inferno burocrático que exterminou milhões durante o nazi-fascismo.

Hitler, Um Filme da Alemanha, 1977, de Hans-Jürgen Syberberg.

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Ao contrário de produções recentes sobre o Führer, como Moloch e A Queda, não interessa a Syberberg o homem por trás do mito. Hitler está em cada um de nós, ele simboliza o apogeu e a decadência da Civilização Ocidental, que se inicia na Antiguidade Clássica Greco-Latina e desemboca na Indústria Cultural do século XX. Para Syberberg, os campos de concentração equivalem a Hollywood, com seus Thalbergs e Zanucks. Das maiores obras-primas do cinema.

Agonia e Glória, 1980, de Samuel Füller.

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Quando Lee Marvin "adota" o orfão judeu e abre os fornos do campo de concentração, deparando-se com o Holocausto (através do ponto-de-vista dos cadáveres), torna-se claro que a verdadeira glória da guerra é sobreviver. Poucas sequências foram tão eloquentes sobre os crimes nazistas.

Berlin Alexanderplatz, 1980, de Rainer Werner Fassbinder.

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Franz Biberkopf sai da prisão e, sem trabalho, retorna para o crime, no qual perde o braço. Tragédia do homem comum, Berlin Alexanderplatz mostra a agonia da República de Weimar, bem como a decadência moral da sociedade alemã, que levaram à ascenção do nazismo e ao Holocausto.

Vá e Veja, 1985, de Elem Klimov.

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Na Biolorrússia, garoto se une à Resistência e luta contra os invasores nazistas. Elem Klimov retrata os horrores da Segunda Guerra Mundial através das experiências puramente sensórias do jovem protagonista. A sequência final, ao som da Lacrimosa de Mozart, é a mais perfeita tradução cinematográfica do apocalipse.

Hotel Terminus, 1988, de Marcel Ophüls.

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A busca pelo criminoso nazista Klaus Barbi - "o açougueiro de Lyon" - permite que Marcel Ophüls (judeu, filho de Max Ophüls) desvende o colaboracionismo francês durante a Segunda Guerra. Como já mostrara em Le Chagrin et la Pitié, poucos lutaram na Resistência, enquanto a maioria se acomodou sob o governo fantoche de Vichy. Mais perturbador, todavia, é constatar que a França, em 1988, permanece antissemita.

Nossa Música, 2004, de Jean-Luc Godard.

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Campo e contracampo, a histórica questão judaica (que se coloca desde a Diáspora e que atravessa o Holocausto) e o moderno problema da ocupação dos territórios palestinos (que se inicia com o Estado de Israel e que deságua no terrorismo árabe). Mas Godard nega o maniqueísmo que os põe em lados opostos e que gera o conflito, uma vez que ambos representam tragédias humanas incalculáveis.

Jacques Tati no Cinemaison 2

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jourdefete.jpg Carrossel da Esperança, de Jacques Tati.

Hoje, no Cinemaison, última parte da retrospectiva Jacques Tati. A programação:

18h O Carrossel da Esperança (Les Vacances de Monsieur Hulot, França, 1953), de Jacques Tati - 79 min + Escola de Carteiros (L'Ecole des Facteurs, França, 1947) de Jacques Tati - 15 min.

20h As Férias do Sr. Hulot (Les Vacances de Monsieur Hulot, França, 1953), de Jacques Tati - 74 min + Aula Noturna (Cours du Soir, França, 1967) de Nicolas Ribowsky - 27 min.

Sobre O Carrossel da Esperança: passa a versão que Jacques Tati relançou em 1964.

Tati pretendia que O Carrossel da Esperança fosse a cores mas, por segurança, também o filmou em P&B - cópia que chegou aos cinemas. Em 1964, o diretor acrescentou novas sequências (com o pintor na cidade), da mesma forma que coloriu imagens à mão.

Na década de 90, a versão a cores - de que Tati não gostava - foi lançada.

São filmes diferentes, portanto. A chegada do pintor altera a dinâmica de O Carrossel da Esperança: ele observa os acontecimentos dispersos, filtra-os por meio de sua arte. O azul, branco e vermelho da França surgem quando as imagens que desenha no papel interagem com as que Tati projeta na tela.

O Carrossel da Esperança marca a comunhão entre diretor, público e personagens.

Socialisme

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Socialisme, de Jean-Luc Godard.

Está disponível no youtube o tralier de Socialisme, que Jean-Luc Godard lançará em 2010. Chamam a atenção a gloriosa fotografia digital e a janela 16:9, típica do HD.

Godard já filmou Elogio ao Amor em digital (absurdamente contrastado). Ao que parece, Socialisme segue o mesmo caminho, de negar qualquer realismo ao suporte - que o diretor sempre atacou: em Nossa Música, por exemplo, ao lhe perguntarem se o digital representa a salvação do cinema, Godard nada responde.

A eloquência do silêncio.

Quando filma em digital, Godard usa as armas do inimigo para derrotá-lo. Embora crítico da televisão e do vídeo, revolucionou ambos. Em Grandeza e Decadência (episódio da Série Noire), ele ironizou: "A TV é uma prisão. Nunca ouviu falar em grade de programação?"

Por fim, curiosidade em relação à janela de Socialisme. O trailer está em 16:9, comum do HD (todas as TVs de LCD, Plasma e monitores de computador tela plana possuem o formato). Há o mito, no entanto, de Godard ou filma em fullscreen, ou em scope.

Quase verdadeiro. Week-End à Francesa é em 1.66:1 - de fato, único de que me lembro. Nossa Música, Elogio ao Amor, Nouvelle Vague, Para Sempre Mozart, todos em tela cheia. JLG manterá o enquadramento (acredito que sim)?

Mais importante: qual o significado de Godard em 16:9?

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O Balão Vemelho, 1956, de Albert Lamorisse.

Hoje, no Cinemaison, passa o lindíssimo A Viagem do Balão Vermelho, de Hou Hsiao-Hsien - em DVD.

Eu tinha esperança de que, após o Festival do Rio, fosse para os cinemas, mas irá mesmo direto para Home Video. Pena - com tanta porcaria em cartaz!

Depois, dose dupla de Albert Lamorisse: O Balão Vermelho (no qual Hsiao-Hsien se inspirou) e O Cavalo Branco. Ambos sobreviveram apenas uma semana no Unibanco Arteplex.

Curiosidade: O Balão Vermelho foi o único média-metragem que ganhou o Oscar de melhor roteiro original.

Programação:

18h
A VIAGEM DO BALÃO VERMELHO, de Hou Hsiao-Hsien (França, 2007. Duração 117'.Cor. Leg. em português - DVD)

20h
O BALÃO VERMELHO, de Albert Lamorisse (França, 1956. Cor. Duração 38'. Leg. em português - 35mm).

O CAVALO BRANCO, de Albert Lamorisse (França, 1953. P/B Duração 40'. Leg. em português - 35mm).

PS: O projetor da Maison de France não possui a janela 1.37:1. Ou seja, os filmes do Lamorisse passam em 1.85:1.

Sean Richard Goldman

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O juiz federal Rafael de Souza Pereira Pinto determinara o retorno de Sean Goldman aos EUA. Mas eis que o idefectível STF, na figura de Marco Aurélio de Mello, concedeu liminar ao PP e suspendeu a decisão.

Simplesmente vergonhoso. O Brasil se mostra novamente na idade da pedra do Direito Internacional, ao rasgar sem mais nem menos a Convenção de Haia. A mãe de Sean, para falar português claro, sequestrou o filho - americano nato (sequer possui nacionalidade brasileira, pela nossa Constituição!) -, quando não retornou aos EUA no prazo estipulado. Desde 2004, o pai luta nos tribunais de lá e daqui contra essa verdadeira aberração jurídica, que Ruy Barbosa já expressou há mais de um século:

Um crime não pode criar direitos, não pode gerar consequências legais a favor do seu agente contra as suas vítimas.

O garoto se adaptou à família brasileira porque foi retido ilegalmente. Viveu em cativeiro aberto. Lembram-se do caso Pedrinho? Wilma o sequestrou na maternidade - porém, assim que se descobriu o crime, prenderam-na, o rapaz trocou de nome e passou a viver com a mãe verdadeira.

Caso Sean Goldman não volte aos EUA e ao pai, o Brasil se tornará porto-seguro para os pais que quiserem levar os filhos sem consentimento do parceiro. Nações árabes o quê! Nós somos o maná do deserto!

David, ao que me parece, não sabia que o buraco era mais embaixo. No Brasil, não importa o que diz a Lei, o Direito ou a Justiça - e sim quais influências políticas e econômicas você possui. Derrotar os Lins e Silva, família de advogados mais tradicional e poderosa de nossos verdes campos? Impossível, no âmbito doméstico.

Porque, claro, assim que perder no STF, David Goldman recorrerá às cortes internacionais - OEA, Haia, etc - e o Brasil será devidamente humilhado. A menos que o Executivo pressione, faça cumprir a Convenção de Haia e interrompa a catástrofe diplomática que está a caminho.

O site que amigos de David organizaram: bringseanhome.org.

E a petição online para que Sean volte aos EUA e ao pai.

PS: A família materna de Sean, em qualquer país sério, levaria processo por síndrome de alienação parental (ou seja, incentivar o ódio do filho contra o próprio pai).

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