Apr 102008
 


Shine a Light, 2008, de Martin Scorsese

Se Shine a Light é apenas um show de rock filmado, espero que todas as bandas contratem Martin Scorsese para gravá-las.

Mas claro que, na verdade, estamos diante de um filmaço maravilhoso. Os Rolling Stones que, para não sentirem a passagem do tempo e o envelhecimento do corpo, e em troca do nirvana artístico alcançado no palco, vendem a alma ao demônio.

Fausto! Ou Doutor Fausto. Thomas Mann já havia notado as implicações mefistofélicas da arte (Klaus Mann também, a família era obcecada pelo tema), que Scorsese explora em Shine a Light. O próprio diretor, aliás, assume o papel deste Mefisto picareta, que conduz nas sombras o espetáculo, com as câmeras onipresentes, com a montagem, com a escolha do teatro Beacon e do cenário, de todos os enquadramentos…

Quais músicas, e a ordem em que foram tocadas, ficaram sob responsabilidade da banda. Podemos entendê-las, no entanto, como o “roteiro” do filme – Scorsese trata de explicar a diferença entre “o quê” e “como” logo antes do início do show: se a primeira música tiver sua força nas guitarras, a câmera deverá começar em Keith Richards, não em Mick Jagger! Como filmar, a arte do diretor de cinema, que faz toda a diferença.


Sympathy for the Devil, de Mick Jagger e Keith Richards.

Ainda voltarei a Shine a Light em outras oportunidades. Preciso falar do Teatro Beacon, da platéia, das câmeras que aparecem, da disposição de algumas músicas – principalmente Sympathy for the Devil -, do final. Que final! Scorsese homenageando Max Ophüls.

Agora, saibam que Martin Scorsese tem página no MySpace! Se tiver conta, só adicioná-lo – o cara, além de gênio, parece maior gente boa.

Para terminar, possuo o hábito de ver os créditos até o fim. Sem contar Robert Richardson, diretor de fotografia do longa, duas vezes ganhador do Oscar (JFK e O Aviador), fiquei besta com o time de operadores de câmera que trabalharam em Shine a Light. Alguns deles: Robert Elswit (acabou de levar o Oscar por Sangue Negro), John Toll (dois Oscars consecutivos, por Lendas da Paixão e Coração Valente), Andrew Lesnie (Oscar por O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel) e Emmanuel Lubezki (4 indicações ao Oscar).

Vocês se lembram se outro show filmado que tenha reunido tantos craques?

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