May 212008
 

Manoel de Oliveira ganhou, anteontem, a Palma de Ouro em Cannes pelo conjunto da obra. Justa homenagem ao cineasta que, dia 11 de dezembro, completa 100 anos de idade – incríveis 77 deles atrás das câmeras, uma vez que estreou em 1931 com Douro, Faina Fluvial -, e permanece na ativa: está prestes a lançar Singularidades de Uma Rapariga Loira, baseado na obra de Eça de Queirós, além do curta-metragem Do Visível ao Invisível, que integra o filme em episódios Os Invisíveis.

É verdade que a Palma chega tarde, pois Manoel de Oliveira já a merecia antes. Ele concorreu seis vezes, e ganhou apenas o Prêmio do Júri com A Carta, em 1999, e o Prêmio da Crítica com Viagem ao Princípio do Mundo, em 1997. Também foi indicado por O Princípio da Incerteza (2002), Vou para Casa (2001), O Convento (1995) e Os Canibais (1988).

O júri presidido por Ettore Scola – que os cineastas brasileiros amam loucamente, péssimo sinal – gostou mais de Pelle o Conquistador que de Os Canibais. Blindness…


Ontem, no Globo, Rodrigo Fonseca trouxe pequena aula que Manoel de Oliveira dá aos mais afoitos – como à sua colega de jornal Cora Rónai, que listou os filmes do diretor entre os mais chatos e insuportáveis de se ver -, no curta que Gilles Jacob preparou sobre o cineasta. Nele, Oliveira conta:

“Ano passado, quando estive no festival com um filme coletivo (Cada Um com Seu Cinema), alguém deixou na cadeira onde me sentei um bilhete anônimo, escrito: ‘Cinema é a arte do movimento. Ele não pode ser estático, como uma foto’. O bilhete se referia aos planos longos e parados dos meus filmes. Mas o sujeito que escreveu isso não entende é que, diferentemente de uma fotografia, um plano estático, no cinema, pode ter mais movimento do que se imagina”.

Os filmes que vi de Manoel de Oliveira (Vale Abraão, A Divina Comédia, Francsica e Acto de Primavera tenho em DVD, mas ainda não assisti – estupidamente!):

Douro, Faina Fluvial, 1931
Aniki Bobó, 1942
Amor de Perdição, 1979
Os Canibais, 1988
Non ou A Vã Glória de Mandar
O Dia do Desespero, 1992
O Convento, 1995
Viagem ao Princípio do Mundo, 1997
Inquietude, 1998
A Carta, 1999
Palavra e Utopia, 2000
Vou para Casa, 2001
Porto da Minha Infância, 2001
O Princípio da Incerteza, 2002
Um Filme Falado, 2003
O Espelho Mágico, 2005
Sempre Bela, 2006
Rencontre Unique (Cada Um com Seu Cinema), 2007
Cristóvão Colombo – O Enigma, 2007
Singularidades de Uma Rapariga Loura, 2009

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