May 252008
 

Saíram as premiações da crítica, do júri ecumênico e da mostra Un Certain Regard, em Cannes. Que foram surpreendentes, aliás:

FRIPESCI:

- Competição: Delta, de Kornel Mundruczó.
- Un Certain Regard: Hunger, Steve McQueen.
- Mostras Paralelas: Eldorado, de Bouli Lanners (exibido na Quinzena dos Realizadores).

OCIC Award:

- Prêmio ecumênico: Adoration, de Atom Egoyan.

Un Certain Regard:

- Melhor filme: Tulpan, Sergey Dvortsevoy.
- Prêmio do júri: Tokyo Sonata, de Kiyoshi Kurosawa.
- KnockOut Prize: Tyson, de James Toback.
- One-From-The-Heart Award: Cloud 9, de Andreas Dresen.
- Hope Prize: Johnny Mad Dog, de Jean-Stéphane Sauvaire.

Começando pelo meio: absolutamente normal o prêmio ecumênico para Adoration. Atom Egoyan é mau cineasta, mas muito bom rapaz. Ele e Walter Salles disputam os OCIC Awards a tapa.

Fatih Akin, presidente do júri da mostra Un Certain Regard, distribuiu cinco prêmio (ao invés de três) dada a qualidade da seleção. Lorota, já que o intragável Andreas Dresen está entre os contemplados. Aliás, ridículos os nomes que inventaram para os troféus extras. “One-From-The-Heart”? “KnockOut”? Deus, transformaram Cannes em festival universitário!

Quanto ao melhor filme: pelo que li, Tulpan – família de nômades que criam ovelhas nas estepes do Casaquistão, protagonista que não deseja se casar – lembra demais O Casamento de Tuya, Urso de Ouro meia-boca de Berlim ano passado. Já Tokyo Sonata foi aposta mais cômoda, obra de diretor tarimbado internacionalmente (embora Kiyoshi Kurosawa sempre esteja sujeito a chuvas e trovoadas).

Kornel Mundruczó. Já ouviram falar? Ele subiu as escadas de Cannes: começou no Cinefondation, passou pelo Un Certain Regard e agora disputa a Palma de Ouro. Delta não estava entre os favoritos, e duvido que ganhe algo no júri presidido por Sean Penn. Complicado entender as escolhas da crítica, conquanto eu mesmo faça parte dela. O filme de Mundruczó sinalizaria o acolhimento do cinema dito autoral, inovador e ousado, de estética mais exigente e refinada (com muitas aspas e senões, claro, porque se trata de enorme besteira). No entanto, La Mujer Sin Cabeza, de Lucrecia Martel, e La Frontière de L’Aube, de Philippe Garrel, foram sonoramente vaiados nas sessões para a imprensa.

Segundo Eduardo Velente, Delta remete a Carlos Reygadas – que ele, Filipe Furtado e Cléber Eduardo decididamente não gostam. Para mim, Luz SIlenciosa merecia até mais do que o Prêmio do júri que levou em 2007.

Curiosidade: Rodrigo Fonseca, no Blogue do Bonequinho, não se cansa de falar besteira. Horas antes de Kornel Mundruczó ganhar o FRIPESCI Awards, ele solta “desde que o evento começou nenhuma barbada apareceu, uma vez que todos os longas, menos o húngaro ‘Delta’, tem atributos fortes para disputar os prêmio, inclusive a Palma de Ouro”.

Gênio da raça.

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