May 252008
 

Posto antes que Sean Penn e companhia anunciem os vencedores da 61a. edição do Festival de Cannes. Não estou lá, não vi os filmes, mas acompanho à distância, leio o que acontece, e tenho meus palpites. Quem leva?
Entre lers Murs, de Laurent Cantet.

Há, claro, uma politização forte no júri, devido à presença não apenas de Sean Penn, como também de Natalie Portman. Por outro lado, Hou Hsiao-Hsien e Apichatpong Weerasethakul nos garantem que o cinema que busca o rigor estético será igualmente contemplado.

Todavia, não acredito que a Palma de Ouro fique com qualquer uma das tendências, pois elas tendem a dividir o júri. Quando não há unamidade, obra destacadamente superior às demais, o prêmio vai para aquela que gera o consenso – em geral, filme “menor”, sem tanta ambição, embora com temática forte o suficiente para que seja lembrado.

Entre lers Murs se passa intiramente dentro da escola. Trata de questões fundamentais como ensino, imigração, pobreza. É francês – e há anos o país não ganha a Palma!. E, para ajudar, foi exibido no último dia do festival, melhorando a impressão do júri. Todas as chances com Laurent Cantet (que, como eu disse na época do horroroso Em Direção ao Sul, dá-se bem melhor quando filma em espaços restritos!).

Já em relação aos prêmios secundários, eles existem mesmo para satisfazer as diversas vertentes do júri. Provável que o cinema “político” fique com o Grande Prêmio do Júri – aposto em Waltz with Bashir, de Ari Folman, embora Gomorra, de Matteo Garrone, também possa ganhar. O Prêmio do Júri deve ficar com filme esteticamente mais ousado, tais como La Mujer Sin Cabeza, de Lucrecia Martel, My Magic, de Eric Khoo, Delta, de Kornel Mundruczó ou Leonera, de Pablo Trapero (em reconhecimento aos sul-americanos também, com quatro obras na competição).

Direção. Quiçá seja o tour-de-force de quatro horas e meia de Steven Soderbergh em Che, ou Nuri Bilge Ceylan em Three Monkeys – que, nas cotações, era o favorito da crítica para a Palma de Ouro até ontem.

Grande Prêmio Técnico, duvido que William Lubtchansky não vença pela fotografia de La Frontière de L’aube, de Philippe Garrel.

Melhor ator. Creio que o favorito seja Joaquin Phoenix, por Two Lovers, de James Gray – embora Mathieu Amalric, por Un Conte de Noel, de Arnaud Desplechin, também esteja no páreo – François Begaudeau (Entre lers Murs) e Benicio Del Toro (Che) podem levar, caso seus filmes não saiam com outros prêmios.

Angelina Jolie, por The Changeling, de Clint Eastwood, é a quase-barbada para melhor atriz. Talvez Catherine Deneuve, por Un Conte de Noel, ameace. Fora delas, seria muita surpresa.

E, para fechar – a menos que inventem algum prêmio especial -, melhor roteiro: Charlie Kaufman, sempre cotadíssimo, por Synecdoche, New York. Outras possibilidades: Laurent Cantet, se Entre lers Murs não ganhar nada mais importante (o que duvido), e Arnaud Desplechin, por Un Conte de Noel.

Previsões finais:

- Palma de Ouro: Entre lers Murs, de Laurent Cantet.
- Grande prêmio do júri: Waltz with Bashir, de Ari Folman.
- Prêmio do júri: My Magic, de Eric Khoo.
- Direção: Matteo Garrone, por Gomorra.
- Ator: Benicio Del Toro, por Che.
- Atriz: Angelina Jolie, por The Changeling.
- Roteiro: Charlie Kaufman, por Sinecdoque New York.
- Grande prêmio técnico: William Lubtchansky, pela fotografia de La Frontière de L’aube.

Vejamos quantos acerto!

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