Jul 312008
 

Cinema de Invenção

O termo “cinema de invenção” foi criado pelo cineasta e crítico Jairo Ferreira para designar o cinema marginal brasileiro. Aqui ele está sendo usado em um sentido bastante amplo, se referindo, não apenas à sua concepção original, mas englobando o cinema experimental como um todo, filmes cuja inventividade foram fundamentais para a história da sétima arte, e obras cujas proposições estéticas são antagônicas ao hegemônico cinema clássico narrativo.

Esta retrospectiva representa um recorte na história do cinema através do “desvio” criativo e seminal, em oposição à “norma” dos filmes meramente comerciais, cuja principal função é o entretenimento. Serão apresentadas obras de importantes “inventores”, como Carl Theodor Dreyer, Mário Peixoto, Robert Wiene, Jean-Luc Godard, Dusan Makavejev, Maya Deren, Júlio Bressane, Jonas Mekas, Rogério Sganzerla, Dziga Vertov, Shohei Imamura, Carlos Reichenbach, Norman McLaren, Luis Buñuel, entre outros.

80 Anos de Tomás Gutiérrez Alea

Neste ano em que Tomás Gutiérrez Alea completaria 80 anos, a Cinemateca presta-lhe uma homenagem, apresentando uma mostra com cinco de seus filmes. O cineasta cubano é um dos mais importantes diretores da América Latina. Depois de ter se graduado em direito e estudado no Centro Sperimentale di Cinematografia em Roma, engajou-se no movimento revolucionário de Fidel Castro, colaborando na unidade clandestina de filmes. Depois da revolução, foi um dos fundadores do Instituto Cubano de Arte e de Indústria Cinematográfica (ICAIC).

Diretor com diversos prêmios internacionais, concorreu ao Oscar de Melhor filme Estrangeiro com “Morango e Chocolate” (na mostra) , seu maior sucesso comercial.

CEPIAXIÍCATU (Eu Coração Dou Bom)

Uma leitura multimídia para o cineasta Humberto Mauro. Imagens dos quatro primeiros filmes de Mauro dialogam e se encontram tematicamente em duas projeções simultâneas. O vídeo criado por Ricardo Garcia, editado com os cortes originais do cineasta, traz uma leitura contemporânea das imagens antológicas dos primeiros trabalhos do pioneiro do cinema brasileiro. No trabalho está presente o ciclo Phebo Filmes, que inclui “Tesouro Perdido” (1927), “Brasa Dormida” (1928) e “Sangue Mineiro” (1929), além de seu primeiro filme realizado na Cinédia, “Lábios sem Beijos” (1930).

Da plasticidade das cenas nasce o universo sonoro, criado por Gilberto Mauro (pianos) e Ricardo Garcia (bateria e eletroacústicos). A trilha estabelece um diálogo com a projeção das imagens, sendo executada ao vivo pelos músicos.

Sexta 01
18h30 – Cinema de invenção – O Gigante da América de Júlio Bressane. Brasil, 1980. Com Jece Valadão, Marta Anderson, Paulo Villaça. 95′
A alma de um caboclo percorre o inferno, purgatório e paraíso, vindo depois a se refugiar no sertão brasileiro.

Sábado 02
16h – Cinema de invenção – O Gabinete do Dr. Caligari (Das Kabinet des Dr. Caligari) de Robert Wiene. Alemanha, 1919. Com Conrad Veidt, Werner Krauss, Lil Dagover. Intertítulos em português. Cópia em DVD com viragens a cor. Sessão com acompanhamento de piano ao vivo por Cadu.
Dr. Caligari apresenta o sonâmbulo Césare, em feiras e parques. A iluminação e a cenografia, que faz uso de linhas diagonais e abole o ponto de fuga da perspectiva, criam um novo tipo de filmes – o expressionismo.
18h – Cinema de invenção – O Signo do Caos de Rogério Sganzerla. Brasil, 2005. Com Helena Ignez, Otavio Terceiro, Giovana Gold. 80′. Cópia em DVD.
Agente alfandegário examina alguns rolos de filmes de um documentário de Orson Welles sobre o Brasil, e tenta confiscar o material.

Domingo 03
16h – Cinema de invenção – As Armas da Floresta (Guns of the trees) de Jonas Mekas. EUA, 1961. Com Allen Ginsberg, Ben Carruhters, Frances Stillman. Versão original sem legendas.
Primeira incursão cinematográfica de Jonas Mekas, com interlúdios poéticos escritos e interpretados por Allen Ginsberg.
18h – Cinema de invenção – Wilhelm Reich – Os Mistérios do Organismo (W. R. – Misterije Organizma) de Dusan Makavejev. Iugoslávia/RDA, 1971. Com Milena Dravic, Ivica Vidovic, Jagoda Kaloper. Legendas em inglês. 85′. Cópia em DVD.
Semi-documentário sobre Wilhelm Reich, cientista que tentou uma aproximação das teorias de Freud e Marx e foi perseguido por Hitler, Stalin e McCarthy.

Sexta 08
18h30 – Cinema de invenção – L’Age d’or de Luis Buñuel. França, 1930. Com Gaston Modot, Lya Lys, Max Ernst. Legendas em inglês. 60′. Cópia em DVD.
Clássico do cinema surrealista, com roteiro de Salvador Dali. Primeiro longa-metragem de Buñuel.

Sábado 09
16h – Cinema de invenção – O Homem com a Câmera (Tcheloviek s kinoapparatom) de Dziga Vertov. URSS, 1929. 68′. Intertítulos em inglês.
Um cameraman percorre a cidade com sua câmera, documentando a vida urbana, dentro das proposições estéticas de Vertov – o Kino Glass (Cinema Olho).
18h – Cinema de invenção – Lilian M: Relatório Confidencial de Carlos Reichenbach. Brasil, 1975. Com Célia Olga Benvenutti, Benjamin Cattan, Sérgio Hingst. 100′. Cópia em VHS.
Mulher larga o marido e os filhos para fugir com um caixeiro viajante. Após uma tragédia, ela vai para a cidade grande, onde assume o nome de Lilian. Depois de muitos amores e desventuras, acaba na baixa prostituição.

Domingo 10
16h – Cinema de invenção – Meshes of the Afternoon de Maya Deren e Alexander Hammid. EUA, 1943. At Land de Maya Deren. EUA, 1944. 15′. A Study in Coreography for Camera de Maya Deren. EUA, 1945. 4′. Ritual in Transfigured Time de Maya Deren. EUA, 1946. 15′. Meditation on Violence de Maya Deren. EUA, 1948. 12′. Cópia em DVD.
Programa com curtas-metragens experimentais da papisa da vanguarda cinematográfica americana, Maya Deren. Entre os atores estão John Cage e Anaïs Nin.
18h – Cinema de invenção – Detetive (Detective) de Jean-Luc Godard. França, 1985. Com Johnny Hallyday, Nathalie Baye, Laurent Terzieff. Legendas em português. 95′.
Neste filme Godard faz uma referência ao film noir, com uma história que ele resume da seguinte forma- “uma mulher, dois homens, uma história de amor, um morto, uma luta de boxe e a máfia”.

Quinta 14
18h30 – Sala escura – Sessão Latina – A Filha do Engano (La hija del engaño o Don Quintin el amargao) de Luis Buñuel. México, 1951. Com Fernando Soler, Rubén Rojo, Alicia Caro. Versão original sem legendas. 73′.
Filme da fase mexicana de Buñuel, uma nova versão de Don Quintin el amargao, de 1935, dirigido por ele na Espanha. Baseado em peça teatral de Carlos Arniches e José Estremera.

Sexta 15
18h30 – Cinema de invenção – O Profundo Desejo dos Deuses (Kamigami no fukaki yokubo) de Shohei Imamura. Japão, 1968. Com Rentaro Mikuni, Choichiro Kawarazaki, Kazuo Kitamura. Legendas em português. 175′.
O aparecimento de uma gigantesca rocha em uma ilha, depois de quatro dias de tempestade, é visto pela população local como uma vingança do demônio, decorrente da consumação de um incesto ali ocorrido. Representante da nouvelle vague japonesa.

Sábado 16
16h – Cinema de invenção – Crioulo Doido de Carlos Alberto Prates Correia. Brasil, 1971. Com Jorge Coutinho, Selma Caronezzi, Ezequias marques. 85′.
A ascensão social de um alfaiate, no interior de Minas, que se transforma em fazendeiro, grande comerciante e bicheiro. Planeja virar industrial, mas desiste, por acreditar que o mundo vai acabar.
18h – Cinema de invenção – Um filme 100% Brasileiro de José Sette de Barros. Brasil, 1986. Com Paulo César Pereio, Odete Lara, Wilson Grey. 83′.
Recriação livre das idéias do poeta Blaise Cendrars, por ocasião de sua visita ao Brasil, em 1924, desembarcando em pleno carnaval carioca.

Domingo 17
16h – Cinema de invenção – The Art of Motion / L’art en Mouvement de Éric Barbeau. Canadá, 2005, 3′. Begone Dull Care / Caprice en Couleurs de Norman McLaren e Evelyn Lambart. Canadá., 1949, 8′. Lines Vertical / Lignes Verticales de N. McLaren e E. Lambart. Can., 1960, 6′. Lines Horizontal / Lignes Horizontales de N. McLaren e E. Lambart. Can., 1962, 6′. The Making of Mosaic (test) de N. McLaren e E. Lambart. Can., 1960-2004, 1′. Mosaic / Mosaïque de N. McLaren and E. Lambart. Can., 1965, 5′. Spook Sport de N. McLaren e Mary Ellen Bute. EUA, 1940, 8′. Fiddle-De-Dee Can., 1947, 3′. Le Merle Can., 1958, 4′. Le Merle – Tests and Outtakes / Le Merle – Test et Chutes Can., 1948, 3′. Hoppity Pop Can., 1946, 2′. Mail Early Can., 1941, 2′. Mail Early for Christmas Can., 1959, 1′. Chaplin Test Can., 1940s, 1′. New York Lightboard Record Can., 1961, 8′. Birdlings (test) Can., 1967, 4′. Short and Suite Can., 1959, 5′. Cópia em DVD.
Filmes dirigidos por Norman McLaren, onde o animador e cineasta utiliza a técnica de desenhar e pintar diretamente sobre a película.
18h – Cinema de invenção – São Jerônimo de Júlio Bressane. Brasil, 1998. Com Everaldo Passos, Helena Ignez, Silvia Buarque. 79′.
A vida de São Jerônimo, ermitão, que vivia no deserto, e traduziu o velho testamento para o Latim.

Quinta 21
18h30 – CePiaXiíCatu (Eu Coração Dou Bom) de Gilberto Mauro e Ricardo Garcia.
Espetáculo multimídia a partir da obra de Humberto Mauro, com imagens de seus quatro primeiros filmes, editadas por Ricardo Garcia. Acompanhamento musical ao vivo por Gilberto Mauro (pianos) e Ricardo Garcia (bateria e eletroacústicos).

Sexta 22
18h30 – CePiaXiíCatu (Eu Coração Dou Bom) de Gilberto Mauro e Ricardo Garcia.
(ver programa do dia anterior).

Sábado 23
16h – Cinema de invenção – Limite de Mário Peixoto. Brasil, 1931. Com Olga Breno, Taciana Rei, Raul Schnoor. 120′.
A ânsia do homem pelo infinito, seu clamor e sua derrota. Em um barco perdido no oceano, três náufragos contam suas histórias.
18h – Cinema de invenção – Elogio ao Amor (Eloge de l’amour) de Jean-Luc Godard. França, Suiça, 2001. Com Bruno Putzulu, Cecile Camp. Legendas em português. 97′.
Sem uma narrativa linear, o filme aborda quatro temas: o encontro, a plenitude física, a separação e a reconciliação. Há também uma crítica aos Estados Unidos e ao tipo de cinema feito em Hollywood.

Domingo 24
16h – Cinema de invenção – A Paixão de Joana D’Arc (La Passion de Jeanne d’Arc) de Carl Theodor Dreyer. França, 1928. Com Maria Falconetti, Eugene Silvain, Antonin Artaud. Legendas em português. 82′. Cópia em DVD.
O julgamento e martírio de Joana D’Arc. O expressivo uso de closes, para dar uma dimensão psicológica da personagem, influenciou toda a história do cinema.
18h – Cinema de invenção – Perdidos e Malditos de Geraldo Veloso. Brasil, 1975. Com Paulo Villaça, Maria Esmeralda, Dina Sfat. 75′.
Genro do dono de um jornal assume o cargo de diretor da publicação, mas vive em crise existencial, acreditando não ter atingido tal posto por mérito profissional.

Quinta 28
18h30 – Tela Brasilis – Sinfonia Amazônica de Anélio Latini. Brasil, 1952. 75′. Complemento Os Azares de Lulu de Anélio Latini. Brasil, 1940.
Baseado em uma lenda brasileira, o filme é o primeiro longa metragem de animação feito no país.

Sexta 29
18h30 – 80 Anos de Gutierrez Alea – A Morte de Um Burocrata (La Muerte de Un Burócrata) de Tomás Gutiérrez Alea. Cuba, 1966. Com Salvador Wood, Silvia Planas, Manuel Estanillo. 85′.
Trabalhador cubano morre acidentalmente e é enterrado com o seu cartão da união. Sem ele, a viúva não pode receber a pensão. Sua sobrinha trava uma luta hilariante com as autoridades para desenterrar o tio e reaver o precioso documento.

Sábado 30
16h – 80 Anos de Gutierrez Alea – As Doze Cadeiras (Las Doce Sillas) de Tomás Gutiérrez Alea. Cuba, 1962. Com Enrique Santiesteban, Reynaldo Miravalles, René Sanches. Versão original sem legendas. 94′.
Com a revolução socialista em Cuba, uma mulher esconde todo o seu tesouro em 12 cadeiras de uma mesa de jantar. Depois de sua morte, seu sobrinho tenta reaver esses bens, acreditando pertencer a ele.

18h – 80 Anos de Gutierrez Alea – Morango e Chocolate (Fresa y Chocolate) de Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabío. Cuba/México/Espanha, 1993. Com Jorge Perrugoría, Vladimir Cruz, Marta Ibarra. Legendas em português. 110′.
A amizade entre um estudante militante da Juventude Comunista e um intelectual homossexual, em Cuba. Filme ganhador do Urso de Prata no Festival de Berlim, do prêmio de melhor filme no Festival de Havana e Gramado, e concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Domingo 31
16h – 80 Anos de Gutierrez Alea – Memórias do Subdesenvolvimento (Memorias del Subdesarrollo) de Tomás Gutiérrez Alea. Cuba, 1968. Com Sérgio Corrieri, Daisy Granados, Eslinda Nuñes. Versão original sem legendas.104′.
As angústias de um intelectual diante da rápida mudança em sua vida na Cuba pós revolucionária.
18h – 80 Anos de Gutierrez Alea – Até Certo Ponto (Hasta Cierto Punto) de Tomás Gutiérrez Alea. Cuba, 1983. Com Óscar Álvarez, Mirta Ibarra, Omar Valdés. Versão original sem legendas. 68′.
Dramaturgo e diretor de teatro se apaixona por uma trabalhadora das docas de Havana, mas seu machismo e conflitos sociais e de trabalho interferem no relacionamento.

Related Posts with Thumbnails

Related Images:

 Leave a Reply

(required)

(required)

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>