Apr 102009
 

Vi cartazes de Milagre em Santa Anna pelos cinemas do RJ. Confesso: não pensei que fosse estreiar, já que fracassou nos EUA. Mal de público e de crítica.

Assisti ao novo / velho Spike Lee em DIVXs e, embora o próprio cineasta o destaque como “resposta” ao duo A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima – a falsa polêmica de que Clint Eastwood não escalou atores negros, quando Lee sabe que, durante a Segunda Guerra Mundial, não havia batalhões mistos no exército norte-americano -, Milagre em Santa Anna sempre me pareceu o merecido reconhecimento do diretor a John Ford e a seu Audazes e Malditos.
Primeiro, claro, porque ambos tratam dos Buffalo Soldiers, regimentos de infantaria e de cavalaria formados exclusivamente por negros, que surgiram em 1867. Segundo, porque Milagre em Santa Anna recupera o sentimento que John Ford expressa no clássico discurso do “algum dia” de Audazes e Malditos:
“Someday…”
Pouco antes, Woody Strode – fenomenal – diz que Lincoln fez algo bom, ao libertar os negros, mas que ainda falta muito, porque continuam escravos. No diálogo com Moffet, que se queixa de que lutou por nada, Rutledge responde que não entraram no exército pelas guerras dos brancos, mas pelo auto-respeito, pelo orgulho próprio, para garantir o futuro dos filhos e das gerações seguintes.

Spike Lee, em Milagre em Santa Anna, praticamente repete a sequência, na conversa entre Stamps e Bishop. Lutamos pelo progresso, porque nos disseram que seríamos apenas garçons e empregados:

Milagre em Santa Anna, de Spike Lee.
Spike Lee já criticou abertamente John Ford, na última cena de Bamboozled (na montagem com filmes hollywoodianos que estereotipam os negros, há O Juiz Priest). Agora, com Milagre em Santa Anna, resgata-o por Audazes e Malditos.

PS: Curioso para ver as reações ao filme de Spike Lee. Acho que me divirtirei bastante com as críticas negativas.

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