Jun 292009
 

Começa amanhã o colóquio internacional Cinema, Tecnologia e Percepção – Novos Diálogos, na Cinemateca do MAM. Ainda dá tempo para se inscrever (no link ao lado), de graça.

Estarei lá, pelo menos para ver os debates que não sejam chatos demais. Os temas já me interessaram – hoje, prefiro a História do cinema, os clássicos.

Danem-se as pós-mídias, caminhos fáceis para mestrados e doutorados em comunicação! Voltemos a John Ford, Howard Hawks, King Vidor, Alan Dwan, DeMille, Griffith, Raoul Walsh, para ficar só nos pioneiros americanos.
Segue a ficha completa do evento, que roubei do site oficial:

Realização:
Laboratoire d’Études et de Recherches sur Les Logiques Contemporaines de la Philosophie, Université Paris VIII

Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Universidade Federal Fluminense, PPGCOM / UFF

Escola de Comunicação e Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura, Universidade Federal do Rio de Janeiro, ECO / UFRJ

Escola de Belas Artes, Universidade Federal do Rio de Janeiro, EBA/ UFRJ

Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, PPGCOM / UERJ

Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PósCom / PUC-Rio

Objetivo:
O principal objetivo deste encontro entre pesquisadores franceses, brasileiros e argentinos consiste em discutir o estatuto do cinema e da imagem diante da sua renovação radical sob o impacto das novas tecnologias.

Confrontando essa atualidade às mudanças precedentes que têm marcado a “sétima arte”, serão interrogados os novos regimes de percepção, tanto no que concerne às suas implicações no domínio da estética e da comunicação como no campo da política e da filosofia.

Parte-se do pressuposto de que as críticas de cinema tradicionais, ainda ancoradas no universo das tecnologias analógicas, precisam ser reformuladas e amplificadas a fim de atingir o estudo de fenômenos midiáticos e artísticos que estão contribuindo para o surgimento de novos formatos audiovisuais.

A partir desse núcleo temático, o colóquio se propõe a efetuar uma análise comparativa entre o surgimento do cinema, durante os processos de modernização ocorridos no final do século XIX, e seu estatuto na contemporaneidade sob a influência das tecnologias digitais.

A intenção é promover novas perspectivas para examinar os conceitos de imagem e movimento, bem como as categorias de tempo e espaço, e seus efeitos na produção de novos modos de difusão e percepção dos materiais audiovisuais.

Sessões Temáticas:

1. Cinema, tecnologia e poder
O objetivo desta sessão consiste emtraçar uma genealogiadas relações entre cinema, tecnologia e percepção desde sua emergência até os dias atuais. Essa abordagem histórica servirá de base para a compreensão do lugar do cinema no mundo contemporâneo, quando a experiência se torna cada vez mais amalgamada à aparelhagem tecnológica. Neste novo contexto, a imagem cinematográfica e os modos de percepção se reorganizam em função de diversas redes de comunicação, novas formas artísticas e de espetáculo, novos sistemas de controle, dispositivos de poder e saberes tecnocientíficos.

2. Do olho ao cérebro: cinema, corpo e percepção
As matrizes clássicas do espetáculo cinematográfico, baseadas na identificação “olhar-sujeito” e no modelo óptico como forma dominante, estão sendo reformuladas com o advento de novas molduras narrativas e outros espaços de visualização e imersão. Essas transformações vêm atreladas ao uso intensivo de ferramentas digitais na criação e difusão de imagens. É possível detectar os vínculos entre esses processos e a emergência de um novo modelo de espectador, junto ao surgimento de novas formas de organização corporal edificadas sob a égide da equação “cérebro-sujeito”. Neste contexto entra em jogo, também, a contínua incorporação de meios interativos e de tecnologias da telepresença, bem como outros dispositivos emanados do universo digital.

3. O cinema em jogo: interatividade, imersão e multimídia
Esta sessão discutirá a recente expansão da imagem cinematográfica para múltiplos espaços de exibição, conquistando novos tipos de telas para a exposição e outros mecanismos de circulação. Esse afrouxamento das margens do cinema está contribuindo para a produção de formas inéditas de experiências ópticas e hápticas (ou táteis), não apenas no espaço doméstico e nas ruas das cidades, mas também em museus, galerias de arte, parques de diversões e até nos meios de transporte. Cabe acrescentar, também, a dilatação da experiência cinematográfica que acompanha a popularização dos aparelhos portáteis de entretenimento e comunicação. As técnicas de reprodução digital habilitaram uma reconfiguração do dispositivo cinematográfico clássico e uma abertura para a convergência multimídia, anunciando novos regimes de imersão, agenciamento e interatividade que põem em crise o espaço clássico de exibição do filme e os conceitos tradicionais de imagem, cinema e espectador.

4. O novo bioscópio: cinema, realismo e autoficção
Os novos canais para a circulação de imagens que proliferam na Internet, tais como Youtube, Orkut, MySpace, Facebook, Twitter e os blogs, fotologs e videologs, têm propiciado a exploração de linguagens que embaralham as fronteiras entre o real e a ficção. Esses novos dispositivos audiovisuais permitem a construção de autoficções, tanto para seus autores, narradores e protagonistas, como para seus leitores e espectadores. Nesses espaços interativos surgem experiências inéditas quanto à sociabilidade e à produção de subjetividade. Esta sessão focalizará os diálogos entre o cinema contemporâneo e essas novas modalidades de expressão e comunicação, nas quais proliferam o culto à imagem de si, o imperativo da visibilidade e uma construção espetacular da realidade.

Programação:

30/06/2009

Abertura (18:30)
Apresentação do Colóquio Internacional
Cinema, Tecnologia e Percepção: novos diálogos
Eric Lecerf (Paris VIII), Paula Sibilia (UFF) e Tadeu Capistrano (UFRJ)

Conferência (19:00 – 20:30)
O que figura o figurante: o “casting” daquele ou daqueles que representam o povo.
Marie-Jose Mondzain (École des Hautes Études en Sciences Sociales, França)
Mediação: César Guimarães

01/07/2009
Manhã
Sessão temática 1: Cinema, tecnologia e poder
Mesa redonda A (9:00 – 11:00)
Cinema, julgamento, repetição
Andréa França (PUC-Rio)
O que fazem as imagens quando não estamos olhando para elas?
Maurício Lissovsky (UFRJ)
O que se constrói do trabalho e da percepção na passagem do cinema mudo ao falado
Eric Lecerf (Paris VIII)
Mediação: Ivana Bentes

Mesa redonda B (11:15 – 13:00)
Poderes e resistências: O documentário contemporâneo brasileiro
Cézar Migliorin (UFF)
Arte e percepção: O cinema como questão política
Hernán Ulm (UNSA)
Regimes de visualização e bioestéticas no capitalismo cognitivo
Ivana Bentes (UFRJ)
Mediação: Erick Felinto

Tarde
Sessão temática 2: Do olho ao cérebro: Cinema, corpo e percepção
Mesa redonda A (14:00 – 16:00)
O trem, a fotografia, o telefone e o cinema em Proust: As mídias e a percepção do tempo
Adalberto Müller (UFF)
Vampyrotheutes infernalis: Imagem, mídia e vampirismo
Erick Felinto (UERJ)
Estatuto e emprego da imagem em criptozoologia
Stefanie Baumann (Paris VIII)
Mediação: Maria Cristina Franco Ferraz

Mesa redonda B (16:30 – 18:30)
Do cinema moderno à nova ficção audiovisual seriada: Atenção, polissemia e biopolítica
Ícaro Ferraz Vidal Junior (UFRJ)
Cérebro e memória em descontinuidade: “Je t’aime Je t’aime”, de Resnais
João Luiz Vieira (UFF)
Cinema, cérebro, memória
Maria Cristina Franco Ferraz (UFF)
Mediação: Paula Sibilia

Noite
Conferência (19:00-20:00)
A imagem como ficção do visível
Jean-Henri Roger (Univ. Paris VIII)
Mediação: Eric Lecerf

02/07/2009
Manhã
Sessão temática 3: O cinema em jogo: Interatividade, imersão e multimídia
Mesa redonda A (9:00 – 11:00)
Cinema e presença: A relação como forma nas instalações contemporâneas
Kátia Maciel (UFRJ)
O cinema e a condição pós-midiática
Arlindo Machado (PUC-SP)
Audiovisual pré-digital e pós-analógico na América Latina
Jorge La Ferla (UBA)
Mediação: Adalberto Müller

Mesa redonda B (11:15 – 13:00)
Cinema em trânsito
André Parente (UFRJ)
O inimaginável: O que falta às imagens
Plínio Prado Jr. (Paris VIII)
Os paradoxos da imagem em movimento
Marie Bardet (Paris VIII)
Mediação: Arlindo Machado

Tarde
Sessão temática 4: O novo bioscópio: cinema, realismo e autoficção
Mesa redonda A (14:00 – 16:00)
Práticas artísticas contemporâneas e imagens de arquivo
Consuelo Lins (UFRJ)
Jogos de cena: Confissão, ensaísmo e autoficção em alguns documentários contemporâneos
Ilana Feldman (USP)
Comum, ordinário, popular: figurações do outro no documentário brasileiro
César Guimarães (UFMG)
Mediação: Paula Sibilia

Mesa redonda B (16:30 – 18:30)
Reversões do espetáculo e da vigilância nos dispositivos audiovisuais contemporâneos
Fernanda Bruno (UFRJ)
O grande baú virtual: Na era digital, as imagens (e sons) de família vão parar na Internet
Lígia Diogo (UFF)
Espetáculo e solidão: A construção de si como um personagem audiovisual
Paula Sibilia (UFF)
Mediação: Ilana Feldman

Noite
Conferência (19:00 – 20:00)
A experiência artística imagética para além de suas imagens
Sofia Panzarini (UBA)
Mediação: Tadeu Capistrano (UFRJ)

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