Apr 222010
 

Charles Albert Browning Jr. nasceu em Louisville, Kentucky, em 12 de julho de 1880. Sobrinho de Pete Browning – primeiro rebatedor da MLB que assinou seu próprio taco de baseball -, “Tod” fugiu de casa aos 16 anos para viajar com a dançarina do circo pela qual se apaixonou.

Trabalhou como palhaço no circo dos Irmãos Ringling, anunciou o Homem de Bornéu em shows e protagonizou o quadro “The Living Corpse”, em que se enterrava vivo. No vaudeville, foi ator, mágico e bailarino – atuou em “Mutt and Jeff”, em “The Lizard and the Cocoon” e, ao lado de Charles Murray, em “The Wheel of Mirth”, no qual usavam blackface.

Tod Browning entrou para o cinema por obra e graça de outro kentuckiano: D.W. Griffith. Enquanto Browning dirigia teatro de variedades em Nova York, Griffith o contratou para atuar nas comédias de um rolo da Biograph. Em 1913, ambos se mudaram para a Califórnia, a fim de trabalhar na Reliance-Majestic. Até 1919, Tod Browning atuou em mais de 50 filmes (entre eles, Intolerância), e, a partir de 1915, dirigiu seus primeiros curtas – para Griffith, para a Metro e para a Universal.

Parênteses: não apenas Tod Browning, como também Allan Dwan, Raoul Walsh e John Ford iniciaram a carreira através de Griffith.

Na Universal, Tod Browning conheceu Irving Thalberg, que o uniu a Lon Chaney em The Wicked Darling (1919). Ao longo da década de 20, agora na MGM, Browning e Chaney estariam em mais nove filmes juntos: Outside the Law (1920), The Unholy Three (1925), The Blackbird (1926), The Road to Mandalay (1926), The Unknown (1927), London After Midnight (1927), The Big City (1928), West of Zanzibar (1928) e Where East Is East (1929).

As parcerias entre Browning e Chaney marcaram a transição das aventuras sensacionalistas para o thriller moderno. Browning transformou o melodrama: a estética do choque e do hiperestímulo, vistas em séries como The Perils of Pauline e The Exploits of Elaine (e mesmo no clássico O Nascimento de Uma Nação e em outros filmes de Griffith – o resgate da heroína indefesa contra vários perigos, que acelera o tempo da narrativa durante a perseguição final), cedeu lugar ao clima e à ambientação góticas, às personagens de emoções e de mentes torturadas, aos horrores que afloram do inconsciente, aos sentimentos contraditórios maiores que a vida.

Com o amigo Cedric Gibbons (diretor de arte que ganharia o recorde de 11 Oscars), e ao lado de fotógrafos do calibre de Karl Freund e James Wong Howe, Tod Browning criou espaços puramente simbólicos para os acontecimentos. Não se tratava mais de conferir realismo ou verossimilhança aos cenários, e sim de refletir o estado psicológico das personagens. O circo, o vaudeville, o teatro de variedades e os shows de mágica da juventude eram recorrentes: mundos de ilusões, de indeterminações, de performances, onde todos se escondiam e se revelavam, em que Browning abusava da ironia para despistar o espectador.

O cinema falado nasceu em 1927, Lon Chaney morreu em 1930. Na passagem para o sonoro, Browning trabalhau, em The 13th Chair (1929) e em Drácula (1931) – seu maior sucesso comercial -, com o ator húngaro Béla Lugosi. Não apenas na adaptação de Bram Stoker, como também nas demais obras a partir de The 13th Chair, Tod Browning não utilizou música. O impacto para as platéias que se habituaram, no silencioso, a acompanhar as projeções com trilhas ininterruptas! O diretor agora lhes negava o recurso, compunha os filmes somente com as vozes e com os ruídos que integravam as narrativas, jogava com o fora-de-quadro, com a dessincronia entre imagem e som.

Freaks (1932), porém, representou a virada – negativa – na carreira de Browning. Projeto que acalentava desde os anos 20, quando convenceu Thalberg e a MGM a comprarem os direitos do conto Spurs, de Tod Robbins, o diretor escalou “freaks” verdadeiros , ao invés de atores maquiados. Devido à controvérsia – houve ameaças de processos por abortos espontâneos em espectadoras! -, o estúdio cortou quase meia hora da metragem original de Freaks, inclusive o clímax, em que Hércules era castrado por Hans e seus amigos.

Com o fracasso comercial de Freaks (que permanece obra-prima), Tod Browning jamais retomou o prestígio em Hollyood. Ainda dirigiu Fast Workers (1933), com o também esquecido John Gilbert; Mark of the Vampire (1935), refilmagem de London After Midnight (do qual não há mais cópias desde os anos 60) que, assim como Freaks, sofreu com 20 minutos de cortes impostos pela MGM; The Devil-Doll, que retomou a parceria de décadas com Lionel Barrymore e seu melhor filme desta última fase; e Miracles for Sale (1939), com o qual se despediu das câmeras.

Tod Browning ainda escreveu roteiros para a MGM até 1942, quando se aposentou. Após a morte da esposa, em 1944, viveu recluso até falecer em Malibu, Califórnia, em 6 de outubro de 1962, aos 82 anos.

Cotações para Tod Browning:

- The Mystery of the Leaping Fish, 1915, de Christy Cabanne e John Emerson (roteiro de Tod Browning) –
- The Wicked Darling, 1919, de Tod Browning –
- The Unholy Three, 1925, de Tod Browning –
- The Mystic, 1925, de Tod Browning –
- The Blackbird, 1926, de Tod Browning –
- The Road to Mandalay, 1926, de Tod Browning –
- The Show, 1927, de Tod Browning –
- The Unknown, 1927, de Tod Browning –
- West of Zanzibar, 1928, de Tod Browning –
- Where East Is East, 1929, de Tod Browning –
- The 13th Chair, 1929, de Tod Browning –
- Drácula, 1931, de Tod Browning –
- Freaks, 1932, de Tod Browning –
- Fast Workers, 1933, de Tod Browning –
- The Mark of the Vampire, 1935, de Tod Browning –
- The Devil Doll, 1936, de Tod Browning –
- Miracles for Sale, 1939, de Tod Browning –

Comentarei os filmes durante a semana.

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