May 112010
 

Die Verliebte Firma, primeiro longa-metragem de Max Ophüls, já apresenta o mundo do espetáculo como lugar da farsa, da mentira e da ilusão, tal qual Lola Montès e La Signora di Tutti.

Ophüls se volta, em Die Verliebte Firma, para o próprio cinema. Durante filmagem na pequena cidade de Wiesendorf, a estrela Peggy se desentende com o protagonista (e marido), abandona a locação e retorna a Berlim. Diretor, assistente, fotógrafo e compositores (trata-se de uma opereta), no entanto, decidem apostar na jovem Gretl – Lien Deyers, de Spione -, que trabalha no telégrafo local, e transformá-la na próxima grande atriz do estúdio.

A equipe técnica de Die Verliebte Firma, porém, está mais interessada em “encontros particulares” com Gretl, a fim lhe “ensinar” a profissão – todos investem sexualmente na jovem, que recusa os avanços. Ophüls, como em Lola Montès e em Sem Amanhã, associa o ato de interpretar ao de se prostituir. Loring Jr., chefe do estúdio que se apaixona por Gretl, pede que ela abandone a carreira e construa uma família: ao invés da atriz/puta, a mãe/dona de casa.

Gretl não desiste, pois a fama a seduz. Contudo, Peggy e o marido se reconciliam e, com a recusa da nova atriz de ceder aos impulsos sexuais da equipe, Gretl é posta de lado. A palavra final cabe a Loring Jr., em diálogo tipicamente ophülsiano:

“Você não se importa comigo”, diz Gretl a Loring Jr, após demiti-la.

“Eu me importo tanto que estou contra você”, ele responde.

Peggy retoma o papel, Gretl volta a Wiesendorf, com o coração partido – não sem antes Loring Jr. alcançá-la, para viajarem à Veneza (onde se passa a opereta dentro do filme).

Em Die Verliebte Firma, ainda no princípio da obra de Max Ophüls, a vida e os sentimentos reais foram capazes de triunfar sobre a ilusão do espetáculo. Depois, não mais.

Die Verliebte Firma, 1932, de Max Ophüls –

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