Apr 132007
 

Domingo, às 20h, no Discovery Channel, estréia O Homem-Urso, de Werner Herzog.

Caso interessante de filme que cresce a cada nova revisão. Quando o vi pela primeira vez, achei fraco. Melhorou na segunda olhada (já em película, ao contrário do DVD vagabundo que o É Tudo Verdade mostrou), e sempre que nele penso me lembro mais de suas qualidades que de seus defeitos. Programa imperdível.

Outro programão: todas as sextas-feiras, por volta das 20h, Cecil B. De Mille no Telecine Cult.

Existe ainda preconceito em torno de Cecil B. De Mille, uma certa vergonha em se admitir que ele era grande. Eu o considero genial. Quantos conseguiram falar de sexo em épicos bíblicos, afinal de contas? Na Hollywood clássica, mais sacana que ele, talvez – talvez! – apenas Ernst Lubitsch.

E, curioso, as comédias de ambos nas décadas de 10 e 20, de Lubitsch na Alemanha e de De Mille nos EUA, são parecidas.

Espero que passem Cruzada, sobre a luta de Ricardo Coração de Leão contra Saladino pela conquista de Jerusalém. Verdadeira jóia da sexualidade reprimida, do homoerotismo e do duplo sentido.

A melhor cena: Ricardo não quer se casar, deseja partir para a batalha. Larga a mulher sozinha na tenda, mas lhe envia sua espada para que o matrimômio possa acontecer.

Durante a Idade Média até a Revolução Francesa – lembrar o plano final de A Noite dos Varennes, de Ettore Scola -, os objetos monárquicos, mais do que apenas símbolos de poder, personificavam de fato o mandatário. Assim, a espada de Ricardo era o próprio Ricardo.

Há algo mais fálico do que a esposa se casando com a espada do rei? Ou de que a espada seja o rei em si?

A obsessão de Ricardo, claro, não é com a esposa, mas com Saladino e Jerusalém. Conotações fortíssimas de homoerotismo bem antes dos 300 de Zack Snyder – o filme é de 1935. Para completar, apesar do cerco e do acordo garantindo a segurança dos cristãos que desejam visitá-la, o monarca britânico jamais entra na cidade sagrada:completa frustração sexual, relacionamento mal resolvido com seu amante e adversário, com quem guerreia para descarregar a energia retesada.

Como podem dizer que De Mille é ruim?

Ah sim, lembrem-me de falar depois sobre o cajado de Moisés, e de como ele se sentia mais atraído por Ramsés do que por Nefertiti, em Os Dez Mandamentos.

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