Oct 062010
 

O Errante, 2010, de Avishai Sivan

Crítica que escrevi para a Revista Moviola.

Isaac, que se auto-intitula “o errante”, divide-se entre a religião e os impulsos sexuais da juventude.

Filho de judeu ortodoxo – que, no passado laico, envolveu-se em crime de que não fala -, Issac sofre com pedras nos rins e dor nos testículos, para a qual se submete à cirurgia. Os males físicos (bem como suas deambulações por Jerusalém) representam a inquietação da personagem, já que a própria sexualidade o assombra. Contra as pedras nos rins, o médico lhe receita água – que, como o pai diz ao filho, simboliza a pureza e, por que não, o judaísmo em si. Quanto mais bebe água, mais Isaac se reprime.

Mas as pulsões do corpo se tornam incontroláveis, e Isaac perambula à caça de sexo. Ele estupra prostituta indefesa e retorna para casa, sob a proteção – e a opressão – da vida religiosa: O Errante denuncia o judaísmo ortodoxo, , que força os jovens a renunciarem aos próprios desejos e a se lançarem nas sombras, nos desvios do comportamento.

Pena que Avishai Sivan copie Bruno Dumont. Planos longos e fixos, personagens robóticas e imotivadas, ações mecânicas e sem sentido (que existem apenas para a câmera), abuso do simbolismo, oposições radicais e estanques – e a falência moral do Isaac como sintoma da comunidade doente onde vive.

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