Oct 072010
 

Filho da Babilônia, 2009, de Mohamed Al Daradji

Crítica que escrevi para a Revista Moviola.

Três semanas após a queda de Saddam Hussein, Ahmed viaja, com a avó, do Curdistão até Nasiriyah em busca do pai, que o partido sunita Baath aprisionou ainda durante a I Guerra do Golfo, em 1991.

No caminho, Ahmed e a avó encontram somente caos e destruição: cidades em ruínas e paisagens desoladas, além das tropas norte-americanas que ocupam o Iraque. Aos personagens, restam tanto a esperança de que o pai do garoto continue vivo, quanto os ecos gloriosos da civilização babilônica, cujos jardins suspensos remetem ao passado idílico que não mais voltará.

Embora Ahmed e a avó cruzem com a solidariedade dos igualmente desvalidos pelo regime sanguinário de Saddam Hussein – o motorista que os leva a Bagdá e lhes devolve o dinheiro, o vendedor ambulante que os ajuda a subir no ônibus para Nasiriyah, o ex-integrante da Guarda Revolucionária que os acompanha na procura (forçado pelo Baath a massacrar os curdos) -,sua peregrinação encontra as centenas de covas coletivas que abrigam os mortos da ditadura, onde não identifica o corpo do pai. A busca não termina.

Regimes de exceção, quando não permitem que lágrimas escorram sobre os corpos de suas vítimas, perpetuam-se no sofrimento.

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