Oct 082010
 

Independência, 2009, de Raya Martin

Crítica que escrevi para a Revista Moviola.

Mãe e filho, que integram a aristocracia local, refugiam-se na floresta durante a independência das Filipinas – na prática, a substituição dos colonizadores espanhóis pelo domínio norte-americano.

Raya Martin explora o turbulento quadro político filipino no ínicio do século XX, quando o país se declarou independente da Espanha para, logo depois, transforma-se em colônia norte-americana. Há, porém, apenas sinais: o disparo de canhão que leva as personagens à floresta (recriada em estúdio), a cabana que atesta a presença espanhola no arquipélago, a conversa em inglês (fora-de-quadro) quando o filho encontra a desconhecida. Ao intercalar subitamente a narrativa com falso cine-jornal que mostra o assassinato da criança pelo soldado americano, Raya Martin desvela que o processo de independência representa somente a troca da antiga metrópole pela nova.

Embora a mãe faleça, o filho e a desconhecida permanecem na selva – agora juntos da criança que geraram -, uma vez que temem o avanço do exército norte-americano, que já ocupa as cidades. Antes refúgio e santuário, a floresta se torna insegura e perigosa.

O filho narra à criança sobre duas cidades vizinhas que, ao lutarem entre si pelos recursos da floresta, destróem-se mutuamente. Em Independência, EUA e Espanha disputam as Filipinas e, embora o garoto se sacrifique – quando a blusa vermelha se estende para o céu, Raya Martin indica que todo o país sangra -, a mata prevalecerá e engolirá ambos os invasores.

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