Oct 092010
 

Fora da Lei, 2010, de Rachid Bouchareb

Crítica que escrevi para a Revista Moviola.

Em 1925, família de camponeses é expulsa de suas terras na Argélia. Com a morte do pai, os três filhos se unem à FLN e lutam pela independência do país. Abdelkader, depois que sai da prisão, lidera o movimento em Nanterre. Messaoud, ex-soldado na Guerra da Indochina, acompanha-no, enquanto Saïd se torna contraventor e financia as atividades revolucionárias os irmãos.

Épico histórico, melodrama e thriller político, Fora da Lei utiliza a fórmula narrativa do conflito entre irmãos. Abdelkader, cada vez mais obcecado pela independência, deixa de lado a própria humanidade quando a FLN o recruta na prisão. Messaoud se afasta da mulher e do filho, pois os assassinatos que comete em nome de seus ideais o perturbam. Saïd, cujos golpes envergonham a mãe, busca se redimir através do boxe – a FLN, todavia, proíbe a luta do campeão argelino pelo título francês. Em outras palavras, todos são reféns dos acontecimentos históricos,que se soprepõem às vontades individuais e arrastam as personagens durante quatro décadas, de 1925 a 1962.

Rachid Bouchareb se espelha em O Poderoso Chefão – a saga familiar, à margem da lei, que se confunde e que reflete a História do país (tanto da França, quanto da Argélia). Há duas homenagens claras. Na primeira, Saïd esfaqueia o colaboracionista que ajudou no roubo de suas terras – referência à cena em que Don Vito mata o assassino de seu pai. Na segunda, o carro de Hélène vai pelos ares – mesmo atentado que sofre a esposa de Michael Corleone na Sicília.

Fora da Lei, porém, deixa a mediocridade apenas quando Faivre surge na tela. Membro da Resistência, coronel na Indochina e gaullista, Fraivre luta pela grandeza colonial da França – embora saiba que a causa está perdida e que a Argélia conquistará a independência. Como Javert em Os Miseráveis, de Victor Hugo, ele caça Abdelkader, implacavelmente, em nome da lei, que não passa de uma quimera.

Conquanto se assemelhem, Abdelkader e Faivre vivem em tempos distintos. Se Faivre luta pela glória do passado, Abdelkader combate pela esperança do presente e do futuro.

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