Dec 012010
 

Tropas norte-americanas desembarcam em Guadalcanal, para retomar a ilha dos japoneses, em 1942. Primeira vitória dos EUA no Pacífico, freou o expansionismo do Japão e mudou os rumos da guerra.

Após hiato de 20 anos, Terrence Malick adaptou o romance de James Jones, The Thin Red Line, para os cinemas. Dentre as sequências marcantes, pelotão americano incrédulo vê polinésio que lhe atravessa tranquilamente o caminho.

Japão e EUA, duas potências imperialistas, disputam a ilhota de Guadalcanal, estratégica pela localização. Os habitantes polinésios, vítimas da colonização, assistem às batalhas, indiferentes e impotentes, no meio do fogo cruzado.

Eis que a ficção se repete. Na foto de Urbano Erbiste, do JB, moradora observa policial do BOPE, armado até os dentes, que enfrenta os traficantes do Complexo do Alemão. A mulher, de biquini e chapéu carnavalesco na rua, contrasta radicalmente com o homem de metralhadora em punho.

Como o polinésio em Malick, ela é o outro, o estranho, que a civilização exclui e marginaliza – mas cuja presença incômoda nos lembra que justiça, paz e liberdade são apenas desculpas para que os senhores travem suas próprias guerras.

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