Dec 312010
 

1. Ponyo, Uma Amizade que Veio do Mar, de Hayao Miyazaki
2. Filme Socialismo, de Jean-Luc Godard
3. O Que Resta do Tempo, de Elia Suleiman
4. Sempre Bela, de Manoel de Oliveira
5. Toy Story 3, de Lee Unkrich
6. Vencer, de Marco Bellocchio
7. Tulpan, de Sergey Dvortsevoy
8. O Último Mestre do Ar, de M. Night Shyamalan
9. Ilha do Medo, de Martin Scorsese
10. Invictus, de Clint Eastwood

Ainda não foi dessa vez que a Pixar bateu Miyazaki. Ponyo, Uma Amizade que Veio do Mar, primeira incursão do mestre japonês, desde Meu Vizinho Totoro, para crianças realmente pequenas. Fantasia exuberante, em que Ponyo está em constante transformação – peixe, menina, o que ela seria? O amor que nutre por Sosuke, no início, desequilibra a natureza, mas por fim a ajuda em seu crescimento.

A homenagem de John Lasseter e Cia. a Totoro, em Toy Story 3 (ele está lá), porém, comoveu-me. O filme inteiro, na verdade. Crescer traz mudanças e perdas. É a vida, e se deve aceitá-la. O abraço entre mãe e filho, que se despede a caminho da universidade, talvez seja a mais bela cena do ano.

Tulpan, aliás, possui o mesmo tema: a ilusão da garota que nunca se vê, o cotidiano duro de Asa nas estepes, as desavenças com a família a qual não pertence. Contudo, a realidade se impõe, e não há por que negá-la.

O cinema “infantil” domina a lista, com três nomes – gosto de O Último Mestre do Ar, mas a perspectiva de vê-lo na frente de várias enquetes dos piores do ano também me motivou. Há que se defender o grande filme sobre heróis hesitantes e renegados de 2010. Todas as personagens principais de Shyamalan vivem à margem!

Há a juventude de Michel Piccoli, que canta de galo em Sempre Bela. Ou de Godard, que dá valor igual a todos os registros possíveis da imagem – socialismo! – e revoluciona o som (lembro apenas de Dziga Vertov, em Entuziazm, com experiências tão inovadoras).

E Elia Suleiman, descortinando as brumas do tempo, em sua viagem personalíssima às origens da Palestina atual, na homenagem que faz ao pai e à mãe? Emotivo, mas assustador: o diretor / ator, como João César Monteiro, assume a persona de Nosferatu, braços junto ao corpo, roupa negra.

Entre a ópera e o melodrama rasgado, Marco Bellochio radiografa a ascensão de Mussolini – e a colaboração da Igreja Católica e de Deus. Onde Ele estava, para aceitar o Mal?

Ilha do Medo: Scorsese pega a lição básica de Val Lewton (o terror decorre dos conflitos da mente humana, de nossas pulsões incontroláveis) e a adapta ao seu repertório barroco de imagens. Já em Invictus, temos Clint Eastwood mais e mais simples e direto, no olhar eminentemente político sobre Mandela.

Lembrança: recebo as listas com os 10 melhores filmes de 2010, no e-mail peerre@losolvidados.com.br, até 20 de janeiro. Participem! Todas serão publicadas.

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