Feb 072008
 


Shine a Light, 2008, de Martin Scorsese.

Começa o Festival de Berlim. Os filmes em competção:

Avaze Gonjeshk-Ha, de Majid Majidi
Ballast, de Lance Hammer
Bam Gua Nat, de Hong Sang-Soo
Caos Calmo, de Antonio Luigi Grimaldi
Elegy, de Isabel Coixet
Feuerherz, de Luigi Falorni
Gardens of the Night, de Damian Harris
Happy-Go-Lucky, de Mike Leigh
Il y a Longtemps que Je T’aime, de Philippe Claudel
Julia, de Erick Zonca
Kaabee, de Yôji Yamada
Kirschblüten – Hanami, de Doris Dörrie
Lady Jane, de Robert Guédiguian
Man Jeuk, de Johnny To
Musta Jää, de Petri Kotwica
Restless, de Amos Kollek
Te Acuerdas de Lake Tahoe?, de Fernando Eimbcke
There Will Be Blood, de Paul Thomas Anderson
Tropa de Elite, de José Padilha
Zuo You, de Wang Xiaoshuai

Berlim tem sido oito ou oitenta. Durante bom tempo, premiou longas americanos que paravam por lá antes do Oscar – casos de Rain Man (pois é…), Em Nome do Pai (pois é… de novo), Grand Canyon, Razão e Sensibilidade, O Povo Contra Larry Flint, Além da Linha Vermelha (merecidíssimo), Magnólia.

Também já flertou com o “cinema de arte europeu”: A Isca, Intimidade, Neste Mundo, Domingo Sangrento. Acertou na mosca com A Viagem de Chihiro, primeiro longa de animação a vencer um dos três maiores festivais de cinema, e possui o mérito duvidoso de ter aberto as portas para os asiáticos, com o Urso de Ouro para O Sorgo Vermelho, de Zhang Yimou – bem melhor do que os filmes recentes do diretor, mas ainda assim…

A última onda de Berlim são as produções desconhecidas dos cantos do mundo. África do Sul (Carmen na África), Croácia (Grbavica) e China-Mongólia (O Casamento de Tuya) foram as últimas apostas. Dos três, apenas a transposição da Carmen de Bizet para as favelas sul-africanas me despertou interesse – até porque o filme seguinte de Mark Dornfold-May, Filho do Homem, é de fato ótimo.

Filho do Homem, a história de Cristo a partir da disputa de território entre gangues rivais na maior favela da África do Sul. Passou no Festival do Rio de 2006, e ninguém viu. Só eu mesmo.

Nome por nome, claro que Hong Sang-Soo e Johnny To são os maiores destaques de 2008. Entre os mais importantes cineastas contemporâneos, mas ainda não reconhecidos por Berlim, Cannes ou Veneza. Talvez porque suas obras fujam completamente do paradigma confortável para premiações – o júri precisa de coragem, o que costuma faltar…

Mike Leigh, por exemplo, encaixa-se perfeitamente no que se aceita e se reconhece em festivais, assim como Majid Majidi. Há Wang Xiaoshuai, o menos talentoso os cineastas chineses, mas que seduz com seu neo-realismo meia-boca e que vem batendo na trave (Bicicletas de Pequim quase levou o Urso de Ouro, e Sonhos com Xangai ganhou o Prêmio do Júri em Cannes). Guédiguian? O veterano Yoji Yamada (do belo A Espada Oculta, que disputou Berlim)? Outro desconhecido que some do mapa ou que acaba em Hollywood?

De qualquer forma, na abertura teremos Shine a Light, documentário de Scorsese com os Rolling Stones. Quando se associa Marty ao rock’n roll, todos se lembram de The Last Waltz, sobre a despedida da The Band. Não está entre meus favoritos do diretor, que faria bem melhor em suas viagens pessoais pelo cinema, norte-americano e italiano.

Já Rolling Stones… Sympathy for the Devil! Ou One Plus One… O primeiro é o corte do produtor, com mais ensaio dos Stones (em lindos travellings), e o segundo, do JLG, com Panteras Negras, contracultura, desconstrução da linguagem, Mein Kampf, encenação de filme dentro do filme, personagem morta na grua.

Lançados juntos, em DVD duplo.


Sympathy for the Devil, 1968, de Jean-Luc Godard.

Sympathy for the Devil ainda passa no Telecine Cult?

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