Feb 222011
 

Não suporto quem distorce a História, por má fé ou por burrice. Felizmente, já tenho cabelos brancos suficientes para ter visto o campeonato brasileiro de 1987, ao mesmo tempo em que sou jovem o bastante para ainda me lembrar de tudo que aconteceu. Vamos aos fatos:

1. A CBF abriu mão de organizar o Campeonato de 1987. Não tinha condições financeiras. Liderados por Flamengo e São Paulo, os maiores clubes do país (Corinthians, Palmeiras, Santos, Vasco, Botafogo, Fluminense, Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio, Internacional-RS e Bahia) fundaram o Clube do 13 e, com patrocínio da Coca-Cola, Varig e Rede Globo, lançaram a Copa União. Goiás, Santa Cruz e Coritiba receberam convites para participar.

2. De início, a CBF reconheceu a legitimidade da Copa União. No entanto, devido ao sucesso do torneio (até hoje, maior média de público da competição), ela voltou atrás e decidiu organizar novamente o Campeonato Brasileiro. Chamou a Copa União de Módulo Verde e, com os 16 mais bem classificados de 1986, criou o Módulo Amarelo – na verdade, houve uma exceção: o Sport foi convidado, pois não entrou pelo critério técnico.

3. A CBF determinou o cruzamento dos campeões e vices dos Módulos Verde e Amarelo para se conhecer o campeão brasileiro de 1987. Mas o Clube dos 13, por unanimidade, recusou-se. Motivo:  para Flamengo, São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Santos, Vasco, Botafogo, Fluminense, Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio, Internacional-RS e Bahia, a CBF não tinha autoridade para mudar as regras da competição sem a prévia concordância dos clubes.

4. Na prática, para o Clube dos 13, nunca existiram Módulo Verde e Módulo Amarelo, apenas a Copa União.

5. Flamengo e Internacional-RS, de acordo com a recomendação do Clube dos 13, não jogaram o quadrangular determinado pela CBF, pois não reconheciam o campeonato paralelo que Sport e Guarani disputaram (e que terminou sem campeão, aliás). Assim, é vergonhoso que qualquer integrante original do Clube dos 13 conteste o título do Flamengo.

6. O Conselho Nacional de Desportos (CND), que hoje equivale ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva, declarou o Flamengo campeão brasileiro de 1987.

7. O Sport entrou na justiça comum e venceu. No entanto, de acordo com a FIFA, clubes só podem recorrer às instâncias esportivas, sob pena de banimento das competições nacionais e internacionais. O mesmo valeria para a CBF.

Na época, a CBF concedeu o título ao Sport, sob o argumento de que não poderia contrariar decisão transitada em julgado, para retomar em definitivo o controle do Campeonato Brasileiro e enfraquecer o Clube dos 13 – que passou somente a negociar os contratos de TV.

Em 2010, Kléber Leite, candidato de Ricardo Teixeira, perde a disputa para Fábio Koff no Clube dos 13. Pouco depois, o CADE põe fim à Cláusula de Preferência que a Rede Globo possuía nos contratos de televisão. Em represália ao São Paulo, que liderou o apoio a Koff, a CBF retira a Copa do Mundo do Morumbi. Para atrair clubes dissidentes, a entidade homologa os títulos brasileiros antes de 1971 e abre o cofre aos que precisam de dinheiro.

Parênteses: esportiva e historicamente, a Taça de Prata nada tem a ver com o Campeonato Brasileiro (diferente da Copa União). O torneio “nacional” mais importante do período era o Rio-São Paulo que, ao se expandir com times de outros estados, transformou-se no Robertão em 1967 (aqui sim, comparável ao Brasileiro pós-1971). A Taça de Prata, embora classificasse para a Libertadores, valia menos que os Campeonatos Estaduais. Os clubes brasileiros desdenhavam da competição sul-americana: o Santos ganhou apenas duas vezes, e o Botafogo nunca venceu, já que preferiam excursionar pela Europa.

Por fim, para enterrar o Clube dos 13 – única vez que os clubes desafiaram, juntos, o poder da CBF -, Ricardo Teixeira entrega a Taça das Bolinhas para o São Paulo e, na semana posterior, reconhece o título brasileiro do Flamengo em 1987. Com politicagem barata, ele manipula a História do futebol brasileiro para opor dois velhos aliados (com Patrícia Amorim e Juvenal Juvêncio de patéticos e mesquinhos coadjuvantes). Resultado: o Flamengo ameaça romper com o Clube dos 13 e se unir ao Corinthians para negociar diretamente com a Rede Globo, parceira da CBF e da Traffic, que trouxe Ronaldinho para a Gávea.

Que Flamengo e São Paulo, de comum acordo, derretam a Taça das Bolinhas e enviem o que sobrar para a CBF.

PS: Em campo, o Flamengo de 1987 foi a melhor equipe que vi jogar (infelizmente, não peguei o início da década). Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho e Leonardo; Andrade, Aílton e Zico; Zinho, Renato e Bebeto. Só Aílton não chegou à seleção. Somente Andrade (que merecia) não disputou a Copa do Mundo. Jorginho, Leonardo, Zinho e Bebeto foram campeões do mundo em 94, assim como Aldair – que esquentava o banco nesse timaço. E, bom, Zico… que saudade!

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  One Response to “Flamengo, Campeão Brasileiro de(sde) 1987”

  1. ali nacia o tetra campeonato do flamengo. não quero saber se a CBF tinha ou não grana pra bancar o campeonato daquele ano o q importa mesmo pro mengão é q ganhamos o campeonato brasileiro de 1987. o qual a CBF declarou e deu total direito ao clube dos trese não só oeganizar como realizou com muita competência.
    depois de um campeonato muito bem realizado e com muito sucesso e com muito torcedores nos estadios e uma audiência marvilhosa a CPF me vem com disputa de grupo verde e amarelokkkkkkkkkkkkkkkkkrsrsrsrsrsrsrsrrs isso é uma grande e vergonhosa pidada.,
    como fica aqueles torcedores q não foram puocos q pagaram ingraços pelos estadios a fora, pagaram pra assistir jogos q não valeu? e agora a CPF vai recasi não so o dinheiro mas também o transtorno q cada torcedor tevi para assistir as partidas dos seu time do coração?
    RICARDO TEIXEIRA ADMITA Q É VERGONHOSA A SUA ADMINISTRAÇÃO PERANTE A MAIOR ENTIDADE DO FUTEBOL BRASILEIRO.
    ATT.; CDOBRA CRIADA UM ETERNO FLAMENGUISTA

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