Mar 042011
 

E o gago triunfou. Ou George VI. Ou os irmãos Weinstein, que voltaram.

O Discurso do Rei confirmou o favoritismo e ganhou 4 Oscars, todos principais. Os técnicos ficaram com A Origem, que também levou 4 prêmios. A Rede Social venceu três, e os outros foram distribuídos entre Toy Story 3, Alice no País das Maravilhas e Cisne Negro.

Bravura Indômita repetiu o desempenho de Gangues de Nova York: 10 indicações e nenhum Oscar. Mais respeitaram os Coen do que gostaram do filme.

Melhor filme: O Discurso do Rei (Iain Canning, Emile Sherman e Gareth Unwin)

Particularmente, Toy Story 3 e Bravura Indômita são bem melhores que os demais, só que nunca tiveram chances. A disputa sempre se concentrou entre A Rede Social e O Discurso do Rei. O primeiro disparou no início, com os prêmios da crítica e o Globo de Ouro. Mas o segundo riu por último, graças ao lobby poderosíssimo dos irmãos Wenstein. No twitter, por onde acompanhei a festa, cada Oscar perdido (e foram oito!) por O Discurso do Rei deu a falsa impressão de que A Rede Social viraria novamente o jogo. Kathryn Bigelow, no entanto, acabou com o sonho, quando anunciou o nome de Tom Hooper.

Melhor diretor: Tom Hooper (O Discurso do Rei)

Curioso. No ano que Hollywood apontou para a renovação – para o bem ou para o mal – do cinema americano, com David O. Russell, Darren Aronofsky e David Fincher (mais os Coen, espécies de patronos da galera), o Oscar premia… Tom Hooper. Isso, amigos, chama-se timing.

Melhor atriz: Natalie Portman (Cisne Negro)

Natalie Portman interpreta bailarina perfeccionista e de técnica apurada, que dança mal. Mas o Oscar nem considerou o detalhe. Também relevou que Vincent Cassel, Mila Kunis e, sobretudo, Barbara Hershey roubam as cenas em que aparecem.

Melhor ator: Colin Firth (O Discurso do Rei)

Sou fã de Colin Firth desde Valmont, Uma História de Seduções . Ele já batera na trave com A Single Man, e a empatia da personagem lhe valeu o Oscar por O Discurso do Rei. Mas prefiro Jeff Bridges (ou mesmo Jesse Eisenberg).

Melhor atriz coadjuvante: Melissa Leo (O Vencedor)

Hailee Steinfeld, na verdade, é a atriz principal de Bravura Indômita. Acharam que ela teria mais chances se indicada como coadjuvante. Merecia em qualquer das categorias. A vitória de Melissa Leo, pelo menos, derruba a história de que seria pecado se auto-promover no Oscar.

Melhor ator coadjuvante: Christian Bale (O Vencedor)

O único Oscar que, por mim, O Discurso do Rei ganharia. Mas Geoffrey Rush está sutil demais para o Oscar, que preferiu a grandiloquência de Christian Bale.

Melhor roteiro adaptado: Aaron Sorkin (A Rede Social)

Roteiro adaptado, a parte que coube à A Rede Social no latifúndio do Oscar. Aaron Sorkin venceu por ficcionalizar romance de não-ficção.

Melhor roteiro original: David Seidler (O Discurso do Rei)

David Seidler agradeceu à rainha Elizabeth II. O contrário seria mais justo e verdadeiro, já que poucas vezes o cinema ajudou tanto nas relações públicas da monarquia britânica.

Melhor fotografia: Wally Pfister (A Origem)

E a noite começou mal. O sol de inverno e a noite lúgubre de Roger Deakins perderam para as imagens manipuladas de Wally Pfister. Se não ganhou agora – é a nona derrota! -, difícil que vença no futuro. Gritante a disparidade entre os concorrentes.

Melhor montagem: Kirk Baxter e Angus Wall (A Rede Social)

Caiu o mito de que o ganhador do Oscar de montagem também leva o de filme.

Melhor direção de arte: Robert Stromberg e Karen O’Hara (Alice no País das Maravilhas) / Melhor figurino: Colleen Atwood (Alice no País das Maravilhas)

O Oscar, finalmente, deu as costas para a Pompa e Circunstância histórica ao apostar no mundo fantasioso de Alice no País das Maravilhas. Em direção de arte, sejamos honestos, o filme de Burton trilhou o caminho aberto por Avatar (até pelos cenários predominantemente em CGI). Mas, em figurinos, a Europa dos séculos XIX, XVII e XVII permanecia imbatível. Colleen Atwood, que recebeu seu terceiro prêmio, empatou com Sandy Powell, na rivalidade particular que elas mantêm na dácada.

Melhor maquiagem: Rick Baker e Dave Elsey (O Lobisomem)

Sétimo Oscar de Rick Baker. O primeiro – não apenas dele, como da categoria em si – ele ganhou em 1981, por Um Lobisomem Americano em Londres. Prática nos monstros não lhe faltava.

Melhor trilha sonora: Trent Reznor e Atticus Ross (A Rede Social)

Morri de medo que Alexandre Desplat ganhasse com a trilha sonora pianinho de O Discurso do Rei. Mas o bom senso prevaleceu.

Melhor canção: Randy Newman (“We Belong Together”), por Toy Story 3

Ano terrível para as canções. Alan Menken também caiu na mediocridade, com Enrolados. We Belong Together não figura entre as melhores composições de Randy Newman, mas foi o suficiente para lhe garantir o segundo Oscar.

Melhor mixagem de som: Lora Hirschberg, Gary Rizzo e Ed Novick (A Origem) / Melhor edição de som: Richard King (A Origem)

Os sindicatos dos editores e dos mixadores de som premiaram Bravura Indômita. No Oscar, contudo, se apenas os que votam  nas categorias indicam, todos os membros da Academia escolhem os vencedores. A Origem se valeu da popularidade (filme mais visto do ano, sem dúvida), e do eterno desconhecimento sobre, afinal, que diabos são mixagem e edição de som? Para acertar o ganhador, primeiro veja se há musicais no páreo; se não, vá para o mais barulhento.

Melhores efeitos visuais: Chris Corbould, Andrew Lockley, Pete Bebb e Paul J. Franklin (A Origem)

A Origem era o único dos indicados a efeitos visuais que também disputava melhor filme, além de roteiro original. E o Oscar premia a mesma centrífuga que Kubrick inventou há 43 anos, para 2001: Uma Odisséia no Espaço…

Melhor animação: Toy Story 3 (Lee Unkrich)

Se Toy Story 3 perdesse, que se fechasse o Oscar para balanço.

Melhor filme estrangeiro: Em Um Mundo Melhor (Susanne Bier)

A mais autista (palavra da moda) de todas as categorias do Oscar, que vive completamente alheia ao circuito internacional e aos festivais de cinema europeus. Enquanto não cair a obrigatoriedade da indicação por país, nada mudará – teremos medidas paliativas e que não surtem efeito, com Dos Homens e Dos Deuses fora da lista todos os anos. Ganhou Susanne Bier (que provavelmente regravará o próprio filme em inglês, para nosso azar).

Melhor documentário: Trabalho Interno (Charles Ferguson e Audrey Marrs)

Não foi dessa vez que o Brasil ganhou o Oscar, até por que nem estava indicado: João Jardim não subiria ao palco do Kodak Theater para receber a estatueta por Lixo Extraordinário. Não assisti aos documentários, mas a vitória de Trabalho Interno me pareceu bem óbvia: trata-se do filme sobre a vilania dos bancos e de Wall Street na maior crise econômica norte-americana desde 1929! E sem falar mal do sistema, claro. Somos democratas, mas capitalistas.

Melhor documentário curta-metragem: Strangers No More (Karen Goodman e Kirk Simon) / Melhor curta-metragem de animação: The Lost Thing (Shaun Tan e Andrew Ruhemann) / Melhor curta-metragem: God of Love (Luke Matheny)

The Lost Thing era barbadíssima, já que venceu o Festival de Annecy, maior da animação. Dos últimos 10 Oscars de curta de animação, todos ganharam Annecy. E o filme, de longe, era o melhor (o Anima Mundi os exibiu ano passado). Gof of Love foi a tese de gradução de Luke Matheny. Vi que o rapaz era universitário assim que apareceu na televisão.

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