Mar 162011
 

Graças ao discurso de Barack Obama na Cinelândia (estaremos todos lá, claro), o Theatro Municipal exibirá Metropolis dias 21, 22 e 23 de março, sempre às 20h30. Será a versão restaurada pela Fundação Murnau, a partir da cópia 16mm encontrada em Buenos Aires e exibida no Festival de Berlim em 2008, com a trilha sonora original de Gottfried Huppertz. O maestro Silvio Viegas conduz a Orquestra Sinfônica da casa.

Por décadas, acreditou-se que Metropolis se perdera. Houve várias restaurações, desde a que Giorgio Moroder assassinou com sua própria música, até aquela em que a Fundação Murnau reuniu todas as imagens disponíveis em 35mm, com cartelas explicativas nas sequências que faltavam. A novíssima versão, praticamente na íntegra – em virtude da má conservação da cópia 16mm, algumas cenas não resistiram -, possui a metragem original: cerca de 2h30 a 24 quadros por segundo (a 20 quadros, como na época do lançamento nos cinemas, a duração aumenta para 3 horas).

Mas não se enganem, talvez outra restauração esteja a caminho, já que encontraram o filme inteiro em cópia 9.5 mm.

Apesar da péssima reforma (Carla Camurati se esqueceu do principal detalhe em qualquer casa de ópera: o som!), não causa espécie que Metropolis vá para o Municipal: não há teatro ou cinema, no Rio de Janeiro, capaz de receber orquestras sinfônicas. Mas nada justifica os preços dos ingressos.

Metropolis, no Theatro Municipal, vale exatamente uma ópera: R$ 18 galeria, R$ 50 balcão simples e R$ 70 platéia e balcão nobre. Mas há que bancar a produção, argumenta-se. Pois bem.

O Theatro Municipal pertence ao Estado do Rio de Janeiro e recebe verbas da Secretaria de Cultura (suga a maior parte do dinheiro, na verdade). Entre seus patrocinadores, temos BNDES, Eletrobras, Petrobras, Globo, Vale, Embratel, Bradesco Seguros e Metrô Rio. O projeto também está na Lei de Incentivo à Cultura. Subsídios não faltam.

Para comparação: ano passado, a Mostra São Paulo exibiu Metropolis (a mesmíssima versão) gratuitamente, na área externa do Auditório Ibirapuera, com a Orquestra Jazz Sinfônia. Aliás, por que a Secretaria de Cultura (que patrocina o evento) não passa Metropolis na Praia de Copacabana, ou em outro local público? Lotaria, sem dúvida.

Não contente, perguntei-me “quanto custaria Metropolis na Europa?” Descobri que o clássico de Lang esteve no cinema Babylon, em Berlim, com orquestra completa, por… 6,50 Euros. Na cotação de hoje (2,32 para 1), sairia por R$ 15.

Em Berlim, Metropolis custa menos do que a galeria do Municipal.

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  One Response to “Metropolis no Municipal”

  1. Veja como é a cabeça do Carioca: é melhor ficar na areia cagada de cachorro de graça, do que no municipal por R$18.
    Não, obrigado. Prefiro o Municipal. O discurso de que “ah, mas precisamos dar acesso ao povo que não tem como pagar”, é balela. O povo que não tem como pagar tá pouco se lixando pra Metropolis e prefere gastar isso em cerveja barata no boteco, então não me venham com essa. Sabe porque aqui custa R$3 a mais? (nossa, nem vou dormir por causa da diferença), justamente porque em Berlim o povo se interessa por tal espetáculo. Aqui, além da população não consumir esse tipo de evento, que só sobrevive com cobrança de ingresso e subsídios, existe uma parcela da “elite pensante” que determina que tal cobrança é absurda.

    Belo blog. Nada pessoal, só minha opinião.

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