Nov 252011
 

Saiu o resultado do edital para o CCBB no biênio 2012 / 2013. E, felizmente, emplaquei duas mostras: Tod Browning: O Mestre do Macabro e Oscar Micheaux: O Cinema Negro e a Segregação Racial.

2012 marca os cinquenta anos do falecimento de Tod Browning, o primeiro – e ainda maior – mestre do horror no cinema, que não por acaso recebeu a alcunha de “Edgar Allan Poe” da Sétima Arte. Começou pelas mãos de D.W. Griffith, que o levou para Hollywood e para quem co-escreveu Intolerância. Na Universal, Irving Thalberg o uniu a Lon Chaney, os três foram para a MGM e o resto é História.

Artista de circo e ator de vaudeville na juventude, Browning trouxe a farsa do espetáculo para o cinema. Seus filmes são deliciosamente picaretas. O que vemos, na tela, aconteceu de verdade, ou se trata de mera invenção para enganar os incautos? Mais sobre Tod Browning, no texto que escrevi anteriormente para o blog.

Quanto a Oscar Micheuax… bom, você não o encontrará em retrospectivas sobre a Hollywood Clássica – porque a Hollywood Clássica jamais permitiu a entrada de cineastas negros.

No auge da Segregação Racial, antes dos Direitos Civis – esqueça Sidney Poitier, Dorothy Dandridge, Harry Belafonte, Spike Lee, Melvin Van Peebles ou Charles Burnett – houve Oscar Micheuax. E Spencer Williams.

Entre as décadas de 1910 e 1950, com orçamentos de 10 a 15 mil dólares, com exibições em cinemas segregados do Sul ou nos guetos do Norte, Micheaux, Williams, os irmãos Johnson, William Foster e outros diretores e atores negros produziram os “race pictures”, em que contavam a versão dos afro-americanos para a saga dos EUA. Opunham-se ao racismo de O Nascimento de Uma Nação e do cinema branco dominante, em que aos negros cabiam os papéis de empregados, mas também a séculos de representações estereotipadas: o blackface, o “Jump Jim Crow”, o Minstrel Show.

São filmes párias, subterrâneos, mas que encontraram seu lugar, na cultura afro-americana da época, ao lado da Renascença do Harlem, do Jazz e do Blues: de fato, todos “subiram o Mississippi”, do Sul para o Norte, acompanhando a Grande Migração dos ex-escravos, após a Guerra Civil, das áreas rurais para os centros urbanos em busca de melhores empregos, diversões e menos segregação. Como o Jazz, fundamental no cinema de Micheaux, os “race pictures” se estabeleceram primeiro em Chicago, e depois em Nova York. Já no Meio-Oeste, Williams dirigiu a belíssima alegoria The Blood of Jesus, em que mergulha no universo dos spirituals e religião Batista.

Técnica e narrativamente distantes dos padrões hollywoodianos, os “race pictures” exploram diversos tabus da sociedade norte-americana: racismo, linchamentos, casamento interracial, falsos pastores, aborto, prostituição, jogatina, vida noturna.

Espero que tudo dê certo.

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