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Ervas Daninhas

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Aos que assistiram Les Herbes Folles no Festival do Rio: lembram-se do plano acima? Certamente não, já que ele permanece inédito no Brasil. O que a Rain e a Imovision trouxeram nos mostra apenas uma fração do rosto dos atores, e arruina completamente os enquadramentos em Scope de Alain Resnais (com Medos Privados em Lugares Públicos, apenas a segunda vez que o diretor filme em 2.35:1 em 40 anos!)

Motivados pela péssima qualidade da projeção digital no Brasil, o Fórum da Crítica (que reúne profissionais de diversos veículos, inclusive os da Revista Moviola) elaborou a carta que se segue.

Pedimos o apoio dos que concordam com os pontos que a carta levanta, dos que não aguentam mais ver seus direitos de consumidor violentados. Assinem a petição online!

Obrigado!

CARTA ABERTA AOS RESPONSÁVEIS PELA PROJEÇÃO DIGITAL NO BRASIL

A projeção digital chegou ao Brasil com a missão de democratizar o acesso aos filmes e libertar os distribuidores da dependência de cópias em 35 milímetros, cuja confecção e transporte são notoriamente caros. A instalação de projetores digitais permitiria ao público assistir a títulos que dificilmente seriam lançados nas condições tradicionais e ainda ofereceria condições para que espectadores situados longe do eixo Rio-São Paulo (onde se concentram quase 50% das salas de cinema do país) tivessem acesso aos mesmos títulos simultaneamente.

O que estamos vendo, no entanto, é uma total falta de respeito ao espectador no que se refere à exibição do filme propriamente dita. As razões são basicamente duas: projeções incapazes de reproduzir fielmente os padrões de cor e textura da obra e/ou projeções incapazes de exibir os filmes no formato em que foram originalmente concebidos. Sem falar no som, que muitas vezes ganha uma reprodução abafada, limitada ao canal central, muito diferente de seu desenho original.

A adoção da projeção digital pelos dois maiores festivais internacionais do Brasil (o Festival do Rio e a Mostra de São Paulo) e por outros festivais do país, infelizmente, não respeitou o que seriam critérios mínimos de qualidade de projeção de filmes em cinema - algo que é observado com atenção em qualquer festival internacional que se preze. Trata-se de uma situação particularmente alarmante tendo em vista o papel de formadores de plateia que esses eventos desempenham.

Sucessivamente, temos visto um autêntico massacre ao trabalho de cineastas, fotógrafos, diretores de arte, figurinistas, técnicos de som e até mesmo de atores. Apenas para citar um exemplo: Les herbes folles, o novo filme de Alain Resnais, originalmente concebido no formato 2:35:1, foi exibido no Festival do Rio, com projeção digital, no formato 1:78. Isso representou o corte da imagem em suas extremidades, resultando em enquadramentos arruinados, movimentos de câmera deformados e rostos dos atores cortados. Um pouco como se A santa ceia, de Leonardo Da Vinci, tivesse suas pontas decepadas, deixando alguns discípulos de Jesus fora de campo - e da história. Para completar o desrespeito, não há qualquer aviso em relação às condições de exibição e o preço cobrado pelo ingresso não sofre qualquer alteração.

Não nos cabe, aqui, pregar a "volta ao 35mm" nem defender determinada resolução mínima para a projeção digital. Sabemos que, se respeitados determinados critérios técnicos - ou seja, se a empresa responsável pela projeção digital receber do distribuidor o master no formato adequado, se o processo de encodamento for feito corretamente, e se os ajustes necessários para a exibição de cada filme forem realizados cuidadosamente -, a projeção digital pode ser uma experiência perfeitamente satisfatória para o espectador.

Não é isso, porém, que tem ocorrido. Exibidores, distribuidores e os fornecedores do serviço da projeção digital são responsáveis pela má qualidade da projeção e coniventes com esse lamentável descaso geral, que tem deixado críticos e amantes de cinema indignados. É um desrespeito ao cinema e aos seus criadores, mas, sobretudo, ao espectador e consumidor final, que saiu de casa e pagou ingresso para ver um filme.

A situação chegou a um ponto intolerável. Pedimos a todos os profissionais envolvidos com a projeção digital que tomem providências para que tais deformações não se repitam.

Festival do Rio - About Elly

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Festival do Rio - Jericó

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Première Brasil

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Magrinha a Première Brasil, hein? Once upon a time em que o Festival do Rio, pela exposição e pelos prêmios que concedia, roubava estreias de Brasília, Gramado, Paulínia, Cine PE...

Em 2009, ao contrário, várias rebarbas. Cidadão Boilesen passou no É Tudo Verdade, Olhos Azuis em Paulínia, Alô Alô Therezinha e À Margem do Lixo em Brasília - sem contar os "internacionais" Viajo Porque Preciso Volto Porque Te Amo e Insolação, que estiveram em Veneza.

Motivos? Acredito que se somam festivais demais (mode Luiz Carlos Barreto on) com produções de menos (estamos mal das pernas), aliados à péssima curadoria - se ela existe, claro - da Première Brasil, que nunca escalaria obras fora do circuitinho conhecido.

Mesmos filmes, mesmos diretores...

Abaixo, a seleção. Com tempo, vejo Beto Brant, Ainouz e Marcelo Gomes, talvez Esmir Filho...

Filmes de Ficção - Competição

1) Bellini e O Demônio, de Marcelo Galvão (90, SP)
2) Cabeça a Prêmio, de Marco Ricca (104, SP)
3) Do Começo ao Fim, de Aluizio Abranches (95, RJ)
4) Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, de Paulo Halm (90, RJ)
5) Hotel Atlântico, de Suzana Amaral (107, SP)
6) Natimorto, de Paulo Machline (92, SP)
7) O Amor Segundo B. Sschianberg, de Beto Brant (80,SP)
8) Os Famosos e os Duendes da Morte, de Esmir Filho (101, SP)
9) Os Inquilinos, de Sergio Bianchi (SP)
10) Sonhos Roubados, de Sandra Werneck (85, RJ)
11) Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, de Karim Ainouz e Marcelo Gomes (71, PE)

Hors Concours - Ficção

12) Antes que o Mundo Acabe, de Ana Luiza Azevedo (97, RS)
13) Insolação, de Daniela Thomas e Felipe Hirsch (100, SP)
14) Olhos Azuis, de José Joffily (105, RJ)

Documentário - Cometição

1) À Margem do Lixo, de Evaldo Mocarzel (84, SP)
2) Belair, de Noa Bressane e Bruno Safadi (80, RJ)
3) Dzi Croquettes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez (110, RJ)
4) Reidy, A Construção da Utopia, de Ana Maria Magalhães (77, RJ)
5) Sequestro, de Wolney Atalla (94, SP)
6) Tamboro, de Sergio Bernardes (90, RJ)
7) Penas Alternativas, de Lucas Margutti e João Valle (71, RJ)

Hors Concours - Documentário

8) Cidadão Boilesen, de Chaim Litewski (93' RJ)
9) Alô, Alô Therezinha, de Nelson Hoineff (RJ)

Errol Morris

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Procedimento Operacional Padrão, 2007, de Errol Morris - lo1.gif

Errol Morris ganhou o Urso de Prata em Berlim, mas o filme decepciona. Deve estrear em breve, já está com legendas em português na cópia.

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