Era uma vez, quando o cinema turco se resumia a Yol, Palma de Ouro em 1982.
Hoje, para o bem ou para o mal, há Nuri Bilge Ceylan e Semih Kaplanoglu, que acaba de ganhar o Festival de Berlim com Honey - última parte da trilogia que conta ainda com Egg e Milk.
Não sei se os filmes de Kaplanoglu passaram alguma vez no Brasil. Talvez em sessões obscuras da Mostra São Paulo. Cakoff adora.
No mais, o júri de Werner Herzog premiou Roman Polanski (que levou o Urso de Ouro por Cul-de-Sac em 1966) como melhor diretor por O Escritor Fantasma - o cineasta não compareceu porque está em prisão domiciliar na Suíça, ainda no imbróglio deporta mas não vai.
Também reconheceram o novo melodrama de Yoji Yamada, além de outra revelação romena, Florin Serban.
Os vencedores da Berlinale 2010:
Urso de Ouro
Honey (Turquia), de Semih Kaplanoglu
Urso de Prata para Melhor Diretor
Roman Polanski (O Escritor Fantasma)
Berlinale Kamera
Yoji Yamada (About Her Brother)
Prêmio para Melhor Filme de Estreia
Sebbe (Suécia), de Babak Najafi
Prêmio Alfred Bauer
If I Want Whistle, I Whistle (Romênia), de Florin Serban
Urso de Prata para Melhor Roteiro
Wang Quan'an e Na Jin (Apart Together)
Urso de Prata para Excepcional Contribuição Artística
Pavel Kostomarov, diretor de fotografia (How I Ended This Summer)
Urso de Prata para Melhor Ator - "Ex-Aequo"
Grigoriy Dobrygin e Sergei Puskepalis (How I Ended This Summer)
Urso de Prata para Melhor Atriz
Shinobu Terajima (Caterpillar)
Urso de Prata - Grande Prêmio do Júri
If I Want To Whistle, I Whistle (Romênia), Florin Serban
Urso de Ouro: Tropa de Elite, de José Padilha
Grande Prêmio do Júri: Standard Operating Procedure, de Errol Morris
Direção: Paul Thomas Anderson (por Sangue Negro)
Ator: Reza Najie (por Avaze Gonjeshk-ha, de Majid Majidi)
Atriz: Sally Hawkins (por Happy-Go-Lucky, de Mike Leigh)
Contribuição Artística - Música: Jonny Greenwood (por Sangue Negro)
Roteiro: Wang Xiaoshuai (por Zuo You)
Prêmio Alfred Bauer: Lake Tahoe, de Fernando Eimbcke
Tropa de Elite acaba de ganhar o Urso de Ouro no Festival de Berlim.
Prêmio corajoso do júri, liderado por Costa-Gavras, uma vez que o filme de José Padilha, lá como cá, gerou reações negativas - e estapafúrdias, diga-se - na imprensa, na crítica e mesmo no público.
De noite, ponho a lista completa dos vencedores e, espero, comentário sobre Tropa de Elite.
Começa o Festival de Berlim. Os filmes em competção:
Avaze Gonjeshk-Ha, de Majid Majidi Ballast, de Lance Hammer Bam Gua Nat, de Hong Sang-Soo Caos Calmo, de Antonio Luigi Grimaldi Elegy, de Isabel Coixet Feuerherz, de Luigi Falorni Gardens of the Night, de Damian Harris Happy-Go-Lucky, de Mike Leigh Il y a Longtemps que Je T'aime, de Philippe Claudel Julia, de Erick Zonca Kaabee, de Yôji Yamada Kirschblüten - Hanami, de Doris Dörrie Lady Jane, de Robert Guédiguian Man Jeuk, de Johnny To Musta Jää, de Petri Kotwica Restless, de Amos Kollek Te Acuerdas de Lake Tahoe?, de Fernando Eimbcke There Will Be Blood, de Paul Thomas Anderson Tropa de Elite, de José Padilha Zuo You, de Wang Xiaoshuai
Berlim tem sido oito ou oitenta. Durante bom tempo, premiou longas americanos que paravam por lá antes do Oscar - casos de Rain Man (pois é...), Em Nome do Pai (pois é... de novo), Grand Canyon, Razão e Sensibilidade, O Povo Contra Larry Flint, Além da Linha Vermelha (merecidíssimo), Magnólia.
Também já flertou com o "cinema de arte europeu": A Isca, Intimidade, Neste Mundo, Domingo Sangrento. Acertou na mosca com A Viagem de Chihiro, primeiro longa de animação a vencer um dos três maiores festivais de cinema, e possui o mérito duvidoso de ter aberto as portas para os asiáticos, com o Urso de Ouro para O Sorgo Vermelho, de Zhang Yimou - bem melhor do que os filmes recentes do diretor, mas ainda assim...
A última onda de Berlim são as produções desconhecidas dos cantos do mundo. África do Sul (Carmen na África), Croácia (Grbavica) e China-Mongólia (O Casamento de Tuya) foram as últimas apostas. Dos três, apenas a transposição da Carmen de Bizet para as favelas sul-africanas me despertou interesse - até porque o filme seguinte de Mark Dornfold-May, Filho do Homem, é de fato ótimo.
Filho do Homem, a história de Cristo a partir da disputa de território entre gangues rivais na maior favela da África do Sul. Passou no Festival do Rio de 2006, e ninguém viu. Só eu mesmo.
Nome por nome, claro que Hong Sang-Soo e Johnny To são os maiores destaques de 2008. Entre os mais importantes cineastas contemporâneos, mas ainda não reconhecidos por Berlim, Cannes ou Veneza. Talvez porque suas obras fujam completamente do paradigma confortável para premiações - o júri precisa de coragem, o que costuma faltar...
Mike Leigh, por exemplo, encaixa-se perfeitamente no que se aceita e se reconhece em festivais, assim como Majid Majidi. Há Wang Xiaoshuai, o menos talentoso os cineastas chineses, mas que seduz com seu neo-realismo meia-boca e que vem batendo na trave (Bicicletas de Pequim quase levou o Urso de Ouro, e Sonhos com Xangai ganhou o Prêmio do Júri em Cannes). Guédiguian? O veterano Yoji Yamada (do belo A Espada Oculta, que disputou Berlim)? Outro desconhecido que some do mapa ou que acaba em Hollywood?
De qualquer forma, na abertura teremos Shine a Light, documentário de Scorsese com os Rolling Stones. Quando se associa Marty ao rock'n roll, todos se lembram de The Last Waltz, sobre a despedida da The Band. Não está entre meus favoritos do diretor, que faria bem melhor em suas viagens pessoais pelo cinema, norte-americano e italiano.
Já Rolling Stones... Sympathy for the Devil! Ou One Plus One... O primeiro é o corte do produtor, com mais ensaio dos Stones (em lindos travellings), e o segundo, do JLG, com Panteras Negras, contracultura, desconstrução da linguagem, Mein Kampf, encenação de filme dentro do filme, personagem morta na grua.