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Karim Aïnouz

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Desculpas pela longa ausência. Nas últimas semanas, escrevo e inscrevo projetos no Programa OI Patrocínios Culturais Incentivados 2010.

Sem muito sucesso, já que o site está fora do ar desde sábado. Pelo menos, prorrogaram o prazo final até dia 30 de novembro.

Mas recomendo que passem na Revista Moviola e assistam à entrevista exclusiva com Karim Aïnouz, realizada por Ariane Mondo. Imperdível.

E, aproveitando o jabá, leiam minha crítica de Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo!

Resposta do Quiz

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Jack Pennick (primeiro da esquerda) em Sangue de Herói, de John Ford.

Respostas: Jack Pennick (1895 - 1964), que esteve ao lado de Ford em incríveis 42 filmes. O primeiro, The Blue Eagle, em 1926. O último, o episódio A Guerra Civil de A Conquista do Oeste, em 1962.

A parceria de Jack Pennick com John Ford:

- A Guerra Civil (episódio de A Conquista do Oeste), 1962
- O Homem que Matou o Facínora, 1962
- Terra Bruta, 1961
- The Colter Craven Story, 1960 (episódio da série Wagon Train),
- Audazes e Malditos, 1960
- Marcha de Heróis, 1959
- O Último Hurrah, 1958
- Asas de Águia, 1957
- Rastros de Ódio, 1956
- Mister Roberts, 1955
- Paixão de Uma Vida, 1955
- The Sun Shines Bright, 1953
- Sangue por Glória, 1952
- Rio Grande, 1950
- Azar de Um Valente, 1950
- Legião Invencível, 1949
- O Céu Mandou Alguém, 1948
- Sangue de Herói, 1948
- O Fugitivo, 1947
- Paixão dos Fortes, 1946
- Fomos os Sacrificados, 1945
- Tobacco Road, 1941
- A Longa Viagem de Volta, 1940
- As Vinhas da Ira, 1940
- Ao Rufar dos Tambores, 1939
- A Mocidade de Lincoln, 1939
- No Tempo das Diligências, 1939
- Submarine Patrol, 1938
- Wee Willie Winkie, 1937
- The Plough and the Stars, 1936
- O Prisioneiro da Ilha dos Tubarões, 1936
- Nas Águas do Rio, 1935
- The World Moves On, 1934
- Peregrinação, 1933
- Air Mail, 1932
- Born Reckless, 1930
- Salute, 1929
- The Black Watch, 1929
- Strong Boy, 1929
- Justiça de Amor, 1928
- Quatro Filhos, 1928
- The Blue Eagle, 1926

Durante a Segunda Guerra Mundial, Pennick serviu no Field Photographic Unit, da Marinha dos EUA, sob comando de Ford.

Quiz

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Harry Carey em Straight Shooting (1917), de Jack Jord.

John Ford trabalhava sempre com a mesma equipe. Estavam lá, nos créditos, os assistentes Wingate Smith e Edward O'Fearna (seu irmão), os fotógrafos Joe August, Gregg Toland, Archie Stout, Bert Glennon, Winton C. Hoch e William Clothier, o editores Jack Murray e Robert Parish, os roteiristas Lamarr Troti, Dudley Nichols e Frank Nugent, os compositores Alfred Newman e Max Steiner, o músico Danny Borzage - além dos produtores Merian C. Cooper e Cliff Reid.

À frente das câmeras, a conhecida "stock company", atores que o cineasta usava filme após filme: Jane Darwell, Anna Lee, Maureen O'Hara, Mae Marsh, Harry Carey Jr., Ben Johnson, George O'Brien, J. Farrel MacDonald, Willys Bouchet, Russell Simpson, Charles Grapewin, Donald Crisp, James Stewart, Henry Fonda, Victor McLaglen, os irmãos Barry Fitzgerald e Arthur Shields, Thomas Mitchell, Donald Meek...

As perguntas se referem, justamente, a "stock company". Qual ator John Ford mais escalou em seus filmes? Em quantos? Quais foram o primeiro e o último de que participou?

As opções:

a) Harry Carey
b) Ward Bond
c) Jack Pennick
d) Francis Ford
e) John Wayne

Respostas amanhã.

Luto - Jack Cardiff (1914 - 2009)

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Jack Cardiff.

O diretor e fotógrafo Jack Cardiff morreu, aos 94 anos, no último dia 22. Mestre do Technicolor, ganhou o Oscar de fotografia em 1947, por Narciso Negro, de Michael Powell e Emeric Pressburger. Também merecem destaque suas colaborações com Alfred Hitchcock (Sob o Signo de Capricórnio), John Huston (Uma Aventura na África), Joseph L. Mankiewicz (A Condessa Descalça), King Vidor (Guerra e Paz) e Richard Fleischer (Os Vikings).

Em 1960, concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes e ao Oscar de direção por Filhos e Amantes.


Filhos e Amantes, 1960, de Jack Cardiff.

Jack Cardiff trabalhou nos filmes de Michael Powell e de Emeric Pressburger, que deram origem à nata do cinema britânico.

Em Coronel Blimp, Jack Cardiff e Geoffey Unsworth (depois fotógrafo 2001: Uma Odisséia no Espaço e de Cabaret) operaram a câmera de George Périnal.

David Lean, que sugeriu o roteiro de Coronel Blimp, já montara E Um Avião Não Regressou - p&b assinado pelo futuro cineasta Ronald Neame - e Paralelo 49, fotografia de Freddie Youg, que ganharia três Oscars por Lawrence da Arábia, Doutor Jivago e A Filha de Ryan.


Nesse Mundo e No Outro, 1946, de Michael Powell e Emeric Pressburger.

Jack Cardiff assumiu a fotografia em Nesse e Mundo e No Outro, Narciso Negro e Sapatinhos Vermelhos. Na direção de Filhos e Amantes, levou para o cargo Freddie Francis - que ganhou o Oscar, feito que repetiria com Tempo de Glória.

Com quem Freddie Francis trabalhou? Michael Powell e Emeric Pressburger! Ele foi operador de câmera em The Small Back Room, O Pimpinela Escarlate, Os Contos de Hoffman e Aprendiz de Feiticeiro.

Powell, Pressburger, Lean, Cardiff, Young, Francis, Neame, Unsworth - carreiras que se estenderam por meio século e que se cruzaram em meia dúzia de filmes!

Filmes citados (e que vi!)

E Um Avião Não Regressou, 1942, de Michael Powell e Emeric Pressburger - lo3.gif
Coronel Blimp, 1943, de Michael Powell e Emeric Pressburger - lo4.gif
Nesse Mundo e No Outro, 1946, de Michael Powell e Emeric Pressburger - lo4.gif
Narciso Negro, 1947, de Michael Powell e Emeric Pressburger - lo3.gif
Sapatinhos Vermelhos, 1948, de Michael Powell e Emeric Pressburger - lo4.gif
Sob o Signo de Capricórnio, 1949, de Alfred Hitchcock - lo3.gif
Uma Aventura na África, 1951, de John Huston - lo2.gif
Os Contos de Hoffman, 1951, de Michael Powell e Emeric Pressburger - lo4.gif
A Condessa Descalça, 1954, de Joseph L. Mankiewicz - lo3.gif
Guerra e Paz, 1956, de King Vidor - lo3.gif
Os Vikins, 1958, de Richard Fleischer - lo2.gif
Filhos e Amantes, 1960, de Jack Cardiff - lo2.gif
Lawrence da Arábia, 1962, de David Lean - lo4.gif
Doutor Jivago, 1965, de David Lean - lo2.gif
2001: Uma Odisséia no Espaço, 1968, de Stanley Kubrick - lo4.gif
A Filha de Ryan, 1970, de David Lean - lo3.gif
Tempo de Glória, 1989, de Edward Zwick - lo1.gif

mauricedruon.jpg Maurice Druon era um anjo!

Capítulo Onze. No qual Tistu resolve ajudar o Doutor Milmales.

Foi ao visitar o hospital que Tistu ficou conhecendo a menina doente.

O hospital de Mirapólvora, graças à generosidade do Sr. Papai, era um belo hospital, muito grande, muito limpo, e provido de tudo que fosse preciso para cuidar de um doente. As largas janelas deixavam entrar o sol, e as paredes eram brancas e luzidias. Tistu não achou que o hospital fosse feio; pelo contrário. No entanto ele sentiu... como explicá-lo... ele sentiu que alguma coisa muito triste ali estava escondida.

O Dr. Milmales, diretor do hospital, via-se logo, era um homem muito sábio e muito bondoso. Tistu achou que ele se parecia um pouco com o jardineiro Bigode, um Bigode que não tivesse bigodes e que usasse grossos óculos de tartaruga. E Tistu lhe disse o que pensava.

- A semelhnça deve ocorrer - respondeu o Dr. Milmales - de Bigode e eu termos uma tarefa parecida: ele cuida da vida das flores, eu da vida das pessoas. Mas cuidar da vida das pessoas era imensamente mais difícil; Tistu logo compreendeu, só de ouvir o Dr. Milmales. Ser médico era travar uma batalha ininterrupta. De um lado a doença, sempre a entrar no corpo das pessoas; do outro a saúde, sempre querendo ir embora. E depois, havia mil espécies de doenças e uma única saúde. A doença usava todo tipo de máscara para que não a pudessem reconhecer: um verdadeiro carnaval. Era preciso desmascará-la, desanimá-la, pô-la para fora, e ao mesmo tempo atrair a saúde, segurá-la, impedi-la de fugir.

- Você já esteve doente, Tistu? - perguntou o Dr. Milmales.

- Nunca, Doutor.

- Nunca mesmo?

Realmente, o doutor não se lembrava de que o tivessem chamado por causa de Tistu, enquanto Dona Mamãe tinha muitas enxaquecas e o Sr. Papai sofria às vezes do estômago. O criado Cárolo tivera uma bronquite no último inverno. Mas Tistu, nada de nada. Eis um garoto que desde o nascimento não sabia o que fosse varicela, angina, resfriado... Um caso raro de saúde perfeita!

- Eu lhe agradeço muito a lição que me deu, Dr. Milmales; ela me interessa muito - disse Tistu.

O Dr. Milmales mostrou a Tistu a sala onde se preparavam pequenas pílulas cor-de-rosa contra tosse, pomada amarela contra bolhas e pós branquicentos contra febre. Mostrou-lhe a sala onde a gente pode olhar através do corpo de uma pessoa como através de uma janela, para ver onde a doença se escondeu. E mostrou-lhe também a sala com teto de espelho, onde se cura apendicite e tanta coisa que ameaça a vida.

"Se aqui impedem o mal de ir adiante, tudo devia parecer alegre e feliz, pensava Tistu. Onde estará escondida a tristeza que estou sentido?..."

O Dr. Milmales abriu a porta do quarto da menininha doente.

- Vou deixar você aqui, Tistu. Venha depois até meu escritório.

Tistu entrou.

- Bom dia - disse ele à menininha doente.

Ela lhe pareceu muito bonita, mas extremamente pálida. Seus cabelos negros se desenrolavam pelo travesseiro. Teria mais ou menos a idade de Tistu.

- Bom dia - respondeu polidamente, sem mover a cabeça.

Seus olhos estavam pregados no teto.

Tistu sentou-se perto da cama, com o chapéu branco sobre os joelhos.

- O Dr. Milmales me disse que as suas pernas não andavam. Será que já melhorou no hospital?

- Não - respondeu a menina, sempre muito polida; - mas isso não tem importância.

- Por quê? - perguntou Tistu.

- Porque não tenho lugar nenhum para ir.

- Pois eu tenho um jardim - disse Tistu, para dizer qualquer coisa.

- Você tem muita sorte. Se eu tivesse um jardim, talvez sentisse vontade de sarar para passear entre as flores.

Tistu logo olhou para o seu polegar, pensando: "Se o problema é esse..."

Mas perguntou ainda:

- Você não se aborrece muito nessa cama?

- Não muito. Fico olhando o teto. Conto os buraquinhos.

"Flores seria muito melhor" - pensou Tistu. E se pôs a chamar interiormente: "Papoulas, papoulas!... Botões-de-ouro, margaridas, junquilhos!"

As sementes entraram pelas janelas, a não ser que Tistu as tenha trazido nos sapatos.

- Mas, em todo caso, você não se sente infeliz?

- Para a gente saber se é infeliz, é preciso primeiro ter sido feliz. Eu já nasci doente.

Tistu compreendeu que a tristeza do hospital estava escondida nesse quarto, na cabeça da menina. Ele também estava ficando triste.

- Você recebe visitas?

- Muitas. De manhã, antes do almoço, a Irmã Termômetro. Depois vem o Dr. Milmales; ele é muito bonzinho, conversa comigo e me faz um agrado. À hora do almoço, chega a Irmã Pílula. Depois, com a merenda, entra a Irmã Injeção Que Dói. E, por fim, vem o moço de branco, que acha que as minhas pernas estão melhor. Amarra uma cordinha em cada uma para que elas possam mover-se. Todos eles dizem que eu vou sarar. Mas eu prefiro ficar olhando o teto, que não me prega mentiras.

Enquanto ela falava, Tistu se tinha levantado e entrara rapidamente em ação em torno da cama.

"Para esta menina sarar, pensava ele, é preciso que ela deseje ver o dia seguinte. Uma flor, com sua maneira de abrir-se, de improvisar surpresas, poderia talvez ajudá-la... Uma flor que cresce é uma verdadeira adivinhação, que recomeça cada manhã. Um dia ela entreabre um botão, num outro desfaldra uma folha mais verde que uma rã, num outro desenrola uma pétala... Talvez esta menina esqueça a doença, esperando cada dia uma surpesa..."

O polegar de Tistu não tinha descanso.

- Pois eu acho que você vai sarar - disse ele.

- VocÇe também acha?

- Acho sim. Tenho certeza. Até logo!

- Até logo! - respondeu polidamente a menina doente. - Você tem sorte de ter um jardim...

O Dr. Milmales esperava Tistu atrás de sua grande mesa niquelada, repleta de livros.

- Então, Tistu - perguntou ele - que foi que você aprendeu? Que sabe de medicina?

- Aprendi - respondeu Tistu - que a medicina não pode quase nada contra um coração muito triste. Aprendi que para a gente sarar é preciso ter vontade de viver. Doutor, será que não existem pílulas de esperança?

O Dr. Milmales ficou espantado com tanta sabedoria num garoto tão pequeno.

- Você aprendeu sozinho a primeira coisa que um médico deve saber.

- E qual é a segunda, Doutor?

- É que para cuidar direito dos homens é preciso amá-los bastante.

Ele deu um punhado de caramelos a Tistu e pôs uma boa nota em seu caderno.

Mas o Dr. Milmales ficou ainda mais espantado no dia seguinte, quando entrou no quarto da menina.

Ela sorria: tinha despertado em pleno campo.

Narcisos brotavam em torno à mesa de cabeceira, os cobertores eram um edredom de pervincas, a grama crescia no tapete. E finalmente a flor, a flor em que Tistu se desvelara, uma esplêndida rosa, que não parava de se transformar, de abrir uma folha ou um botão, e que subia pela cabeceira da cama, ao longo do travesseiro. A menina já não olhava o teto; ela contemplava a flor.

De noite suas pernas começaram a mover-se. A vida era boa.

Q & A

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John Ford no set.

Bertrand Tavernier: Quais seus diretores favoritos?

John Ford: Leo McCarey - Eu amo A Cruz dos Anos. Frank Capra. E todo um bando de gente, como Raoul Walsh, sujeito um pouco como eu, exceto que ele é mais bonito e mulherengo; um de seus filmes, The Honor System, impressionou-me muito. Tay Garnett, Henry King. Eu gosto de Sammy Fuller também; ele coloca um pouco de violência demais em seus filmes, mas ao contrário de muitos outros, não o faz por motivos comerciais - ele é um cara honrado, honesto. Eu não gosto de John Huston, ele é uma fraude.

John Ford Interviews, editado por Gerald Peary.

Primeira rainha pornô (com Linda Lovelace, de Garganta Profunda, e Georgina Spelvin, de O Diabo na Carne de Miss Jones), Marilyn Chambers faleceu, aos 56 anos. A polícia ainda investiga a causa da morte.

Marilyn Chambers estreou no cinema em 1970, no longa-metragem O Corujão e a Gatinha, de Herbert Ross (com Barbra Streisand!). Modelo, foi garota-propaganda do sabonete Ivory Snow antes de, pela semelhança física com Cibyl Shepard, ser chamada pelos irmãos Mitchell para estrelar Atrás da Porta Verde, maior clássico da indústria pornográfica.

Garganta Profunda, Atrás da Porta Verde e O Diabo na Carne de Miss Jones transformaram a pornografia em indústria: de restrito ao cinema de vanguarda e ao mercado erótico clandestino (as produções com Bettie Page, por exemplo), o pornô se massificou. Jenna Jameson, Silvia Saint, Taylor Rain, Belladona, Alexis Texas, Brianna Love, Tera Patrick, Sasha Grey - porn queens do vídeo e da internet que não existiriam sem Linda Lovelace, Georgina Spelvin e Marilyn Chambers.

Segundo a Wikipedia, Chambers se destacou no sexo anal, lesbianismo, dupla e tripla penetração e garganta profunda. Foi a primeira atriz pornô americana a raspar totalmente os pêlos pubianos (a famosa brazilian wax) e a utilizar piercing genital.

Em 1977, Marilyn Chambers protagonizou Rabid, de David Cronenberg (Sasha Grey fará o novo Steven Soderbergh, aliás). Após acidente, ela desenvolve - no pescoço - vagina que morde todos com quem se relaciona, espalhando doença que os transforma em zumbis!

Deixo agora pela conta e risco de vocês. Posto a sequência entre Marilyn Chambers e Johnny Keyes em Atrás da Porta Verde, dos irmãos Mitchell. Classificação indicativa: 18 anos.






Atrás da Porta Verde, dos irmãos Mitchell.

PS: Misturei filmes e atrizes. Mas corrigi: Linda Lovelace em Garganta Profunda, Georgina Spelvin em O Diabo na Carne de Miss Jones!

Luto - Maurice Jarre (1924 - 2009)

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Tema de Lara, de Doutor Jivago, e a Abertura de Lawrence de Arábia:




Na madrugada de domingo, o compositor francês Maurice Jarre faleceu, aos 84 anos.

Jarre se celebrizou, no cinema, pela parceria com David Lean, que começou em Lawrence da Arábia, prosseguiu em Doutor Jivago e A Filha de Ryan, e terminou com o filme derradeiro de cineasta britânico, Passagem para a Índia.

Maurice Jarre ganhou o Oscar por Lawrence da Arábia, Doutor Jivago e Passagem para a Índia - curiosamente, minha trilha predileta do compositor, de A Filha de Ryan, sequer foi indicada! Ele também recebeu indicações por Les Dimanches de Ville d'Avray, Roy Bean - O Homem da Lei, The Message, A Testemunha, Na Montanha dos Gorilas e Ghost - Do Outro Lado da Vida.

Além de David Leam, Maurice Jarre trabalhou constantemente com Peter Weir (A Testemunha, A Costa do Mosquito, O Ano em que Vivemos em Perigo e Sociedade dos Poetas Mortos), e colaborou com Michael Cimino (The Sunchaser), Richard Brooks (Os Profissionais), René Clément (Paris Está em Chamas), John Frankeheimer (O Trem e Grand Prix), William Wyler (O Colecionador), Anatole Litvak (A Noite dos Generais), Alfred Hitchcock (Topázio), John Huston (O Homem que Queria Ser Rei) e Luchino Visconti (Os Deuses Malditos).

Não compunha para o cinema desde 2001. Recebeu, no último Festival de Berlim, o Urso de Ouro pelo conjunto da obra.

A Vida Imita a Arte

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Meu Nome Não É Johnny, de Mauro Lima.

Selton Mello foi detido pela polícia, ontem, sob suspeita de dirigir bêbado. Levaram-no à delegacia, onde realizou teste do bafômetro. Estava limpo - do álcool, pelo menos.

Porque se fizessem direto exame de sangue ou de urina...

Elia Suleiman

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Em Nossa Música, de Jean-Luc Godard, Judith entrevista o poeta palestino Mahmoud Darwich (que morreu ano passado), e lhe pergunta sobre o conflito com Israel.

Ele responde que Israel pretende destruir os palestinos, mas não conseguirá - pois as bombas não acabam com a língua, a cultura, a arte, a poesia...

Lembrei de Nossa Música quando assisti, ontem de madrugada, à Crônica de Um Desaparecimento, com o qual Elia Suleiman venceu o Dino De Laurentiis de melhor filme de estreia no Festival de Veneza de 1994.

Não era o primeiro filme do cineasta, mas tudo bem. Há até passagem divertidíssima no longa em que, chamado para explicar à platéia sobre seus temas, métodos de filmagem, e outros quetais, Suleiman - clown no melhor estilo Jacques Tati - não fala porque o microfone entra em curto, todos conversam nos celulares, bebê abre o berreiro...

Suleiman estudou nos EUA e se radicou na França. Com o acordo de Oslo, voltou a Israel - ele convive com a dualidade de, palestino, também ser árabe-israelense, pois sua família mora na parte oriental de Jerusalém.

Intervenção Divina, para os que viram, narra os encontros de Suleiman com a mulher que ama nos postos de controle que dividem Jerusalém e Cisjordânia, já que cada um está do outro lado da barreira.

Na guerra, Israel vence de goleada - invade, solta bombas, prende e arrebenta (não no marketing, é verdade, e o Hamas continua na ativa). Mas, no cinema, os palestinos humilham. Graças a Elia Suleiman. Fica até feio compará-lo com Amos Gitaï, Ari Folman e Yoav Shamir (o melhor da turma, embora o menos "acessível" - escrevo mais sobre Shamir em outra oportunidade).

Na cópia de Crônica de Um Desaparecimento que baixei (pelo PirateBay, corram antes que indústria tire o site do ar!), vieram duas entrevistas com Suleiman, que disponibilizo abaixo:

Cinema of Nowhere - Interview with Elia Suleiman.

The Occupation (and Life) Through an Absurdist Lens - Interview with Elia Suleiman.

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